terça-feira, 29 de abril de 2014



"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"? Estar numa relação, qualquer que seja ela, implica alguma responsabilidade. Quando nos relacionamos saímos da nossa 'redoma' e passamos a adentrar a esfera do Outro, até que ela se torne basicamente uma só. É certo, com algumas limitações, porque se relacionar com alguém é fazer parte do universo, não só externo, também interno, de cada um. Algo muito complexo. Estar numa relação é como estar no mundo. Adquirimos direitos e contraímos obrigações. Assim, tornamo-nos responsáveis. Por nossos atos, por nossas condutas, pelo modo que agimos em relação ao Outro, mas Nunca pelo sentimento que o Outro possa nutrir ou vir a nutrir em relação a nós. Sentimento é algo que não se pode exigir; tampouco controlar. Apenas deixar Ser, acontecer, naturalmente. "Não exijas de ninguém senão aquilo que realmente pode dar." Só podemos evoluir enquanto pessoas, enquanto relação, se aprendermos a nos colocar no lugar do Outro, se fizermos um esforço para compreender suas limitações, desejos, sonhos. Se estivermos dispostos a nos doar, entregarmo-nos mutuamente, sermos parceiros, sem exigências, sem cobranças, fixando o olhar numa mesma direção, para que o Nós esteja acima do Eu, do nosso egocentrismo, só assim conseguiremos formar um elo que produza bons frutos para ambos. "O Amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte". O Amor quando doado, sem medidas, multiplica-se. Alcança o inalcançável.

____ Angella Reis


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Não espere



 
 

Não devemos esperar do outro. Atribuir-lhe responsabilidades pelas expectativas que nele depositamos. Começamos errado quando agimos assim. Cada pessoa é um ser único, com suas histórias, dores, alegrias, manias, medos, desejos e sonhos. Como atribuir a alguém algo tão complexo; se não conseguimos atender, deveras, nossos próprios anseios? Quando não temos para conosco o cuidado necessário, a atenção devida? E tantas vezes nos boicotamos, por razões diversas e até então desconhecidas, por medo ou pelo desejo inconsciente de voltar ao útero, de retornar a origem primeira das coisas. Um lugar onde possamos nos sentir seguros, sem as cobranças diárias, nossas, dos outros. Que possamos apenas ser. Mais nada.

Não, não espere!

Não espere o amor que foi dado. O amor foi dado porque você deu. E você deu porque o amor era seu. E será sempre seu, meu, nosso. O amor dado é também doado, e amor doado não espera ser retribuído, porque quanto mais amor se dá, mais amor se tem. E não se pode querer mais ainda o que já transborda em você. E se transborda é porque te basta. O amor basta a si mesmo. E se basta, é combustível. E se é combustível, movimenta-se. E se movimenta, pulsa. E se pulsa, vive. O amor vive em si mesmo.

Não espere, mas a gente espera. A gente espera que o Outro também nos ame. E se isso não acontece de imediato, a gente reza que venha a acontecer. A gente espera que o Outro também se encante. A gente espera retribuição da atenção que foi dada. A ternura e o carinho dispensados. A gente espera que o Outro ligue pra gente, se a gente também ligar. Ou que ligue se a gente não ligar.

A gente não só espera do Outro, a gente espera o Outro. A companhia num fim de tarde de céu azul. Caminhar de mãos dadas (na praia, no parque ou em qualquer lugar). Contemplar o mar. Ver o nascer e o por do sol. Contar as estrelas no céu. Admirar a lua. Enroscar-se debaixo do cobertor assistindo àquele filme desejado. Ouvir juntos uma boa música. Jogar conversa fora. Trocar idéias sobre livros. Ir a museus, teatros e cinema. Fazer uma viagem, com direito a viajar dentro da própria viagem. Compreensão nos dias e horas difíceis...

 A gente espera, mesmo sabendo que não deve esperar.

 

Angella Reis

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Aprendendo a viver







Em minha pele está cravada cada uma das minhas histórias. E há tempos que aprendi a não travar batalha alguma para arrancar nada de dentro de mim, porque cada momento que vivi faz parte do que hoje essencialmente sou.

Aprendi a fazer as pazes com o passado. A aceitar sem culpas cada ato falho. A rir de alguns tropeços, a levantar depois de cair, a chorar quando doeu ou mesmo se não doeu tanto assim, por sempre dramatizar demais; A me perdoar por errar ou repetir os mesmos erros, por achar que seria diferente da próxima vez, por pura teimosia e/ou insistência de ser feliz. A não chorar quando tinha que ser forte. A remar para o barco não virar. A me equilibrar numa perna só. A sorrir quando era só tristeza dentro de mim. A ter fé quando o solo ameaçava ruir. A ficar de pé quando as pernas fraquejavam e pediam o chão. A voar. A voar, eu voo sempre.

Aprendi isso porque o passado não muda, permanece intacto lá atrás e você pode decidir vê-lo como uma bela escultura, com todas as características que o torna singular e especial, ou como uma imagem a lhe consumir.

Aprendi a lidar com o passado porque só assim eu pude ver a beleza do presente. A olhar com ternura quem estava à minha frente e ao meu lado. A me permitir, a deixá-lo entrar e aconchegar junto ao peito, sem medo de ser feliz.

A casa do coração está aberta porque não se deixou aprisionar ao que ficou. Como um pássaro em voo, aprendi a viver e aproveitar a beleza e plenitude do instante. Em minha memória permanece àquilo que se fez Presente em mim. Que seja belo, que seja doce, tudo o que vier. Desejo boas notícias!

Angella Reis

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Dom da escuta





Há momentos em que tudo o que a gente precisa é de alguém que nos escute. Que a gente possa despir-se por inteiro. Dar vazão ao que há de melhor ou pior dentro do peito, sem preocupação se vamos encontrar no olhar e/ou semblante aprovação ou reprovação por qualquer conduta.
Não precisamos de carrascos, de ninguém que nos aponte o dedo, que nos mostre falhas e erros porque deles já sabemos de cor. Ninguém é perfeito. Cada um sabe a dor e prazer de ser o que se é.
Carregar nossas neuras, angústias e medos, é um peso muito grande quando não se pode dividir. É maravilhoso poder se abrir, convidar alguém a entrar, sem haver a necessidade de se trancafiar, esconder a bagunça toda, tudo que está fora de ordem, ou ter que empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Ficar às claras, sem meias palavras, sem meio termo. Confortável. À vontade para desabafar, expressar os sentimentos mais profundos, os quais só ousávamos contar ao travesseiro, porque não haverá julgamentos, muitos menos pré-julgamentos sem conhecimento de causa.
O que a gente precisa mesmo é aceitar nossa humanidade, sem culpas, e sermos mais tolerantes com a humanidade do outro. Sem essa de cobrar, cobrar-se, culpar e culpar-se tanto por tudo. Dar-se o desconto. Não nascemos melhorados. Estamos e estaremos sempre em processo de transformação. O importante é perceber que não era bem por ali, pegar uma nova estrada e recomeçar. Ter uma atitude positiva, fazer um balanço das coisas, ver o mundo com uma nova perspectiva. Mudar. E isso não se resume só aos desacertos, mas também aos medos, ilusões e a inúmeras coisas que nos impede de ir adiante. Que nos fazem retornar sempre ao mesmo ponto de partida, a alguma coisa que ficou mal resolvida e que por isso você precisa sempre voltar, como se caminhasse em círculos ou como se uma parte de você nunca tivesse saído do lugar.

Falar sobre aquilo que nos prende e machuca tanto é uma espécie de antídoto para curar a ferida. Ainda que, na prática, deixar quietinho, adormecido a um canto nos pareça ser a melhor saída. Tipo: deixa aí, com o tempo vai passar; Não, não passa enquanto não resolver e não cuidar. Poder deixar fluir, vir à tona o que há nas profundezas é também uma forma de lidar com os conflitos e crises, redescobrir-se, reconciliar consigo mesmo. Harmonizar o universo interno e a partir daí a relação com o mundo. Enfim, possibilitar o encontro. E no final perceber que o “fantasma, monstro ou gigante”  ou seja lá o que for que te devorava por dentro não era tão assustador, feio ou grande assim. Dos males, o menor. Há salvação! 


____ Angella Reis



Ps. Sobre saber escutar a si e ao outro. Ao que perpassa no universo interno de cada um. Mas, a verdade é que nem sempre estamos atentos a isso e muitas vezes não estamos ou não queremos estar abertos ao outro. Nem sempre estamos dispostos a ouvir o que o outro tem a falar, ao que está sentido, É muito mais interessante e cômodo compartilhar as alegrias. Os problemas, cada um que se cuide. É muito mais nobre e enriquecedor como ser humano e pessoa estar junto não importa as circunstâncias e/ou tempo. É belo, é doce, é fortalecedor dizer e ouvir, Vai ficar tudo bem. To por aqui. :)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Não era pra ser


 
 



Darling, nossa história não foi feita para durar. Foi apenas um encontro de linhas mal traçadas num parágrafo qualquer. Não era pra ser, entende? Ao escrever o roteiro inadvertidamente atropelei todas as vírgulas e atirei-me de cara no infinito de reticências que me levavam até você. Por que não? Naquele instante só me cabia viver. Sentir o fluxo das emoções que vibravam. Fechei os olhos. Ignorei quaisquer riscos. Tomei as rédeas, até perder o controle já que o roteiro passou a ser dirigido a quatro mãos.

Não, não foi amor, foi pura química, impulsividade, falta de juízo talvez... Perdoe-me se ti fiz acreditar. Mas, se te serve de consolo, também acreditei. Mania de vivenciar e incorporar meus personagens. Tudo bem que chorei com o fim é que tenho uma queda pelo dramalhão. Exageros sempre foi meu forte! Mas se quer saber, foi bom sim. Ainda que quase tenhamos despencado num abismo e tido alguns possíveis arranhões, a tal felicidade clandestina foi ótima enquanto durou.

 
___ Angella Reis
 

 

 

domingo, 17 de março de 2013

“A vida é uma tarefa dada por Deus a nós mesmos”





“A vida é uma tarefa dada por Deus a nós mesmos” – ouvi essa frase sendo pronunciada por um estudioso de teologia. Não gosto de pensar na acepção obrigatória do termo, porque, ainda que possuir uma vida em mãos imponha certa responsabilidade, jamais deve ser vista, nem pautada, como algo pesado, um curvar de ombros que dificulta a caminhada.  Mas, o que ele basicamente quis expressar foi que temos o dever de administrá-la da melhor maneira possível como a uma missão que nos foi confiada. Atender aos anseios do Pai, dar o máximo de si para concretizar os sonhos que Ele projetou para cada um.

A verdade é que, muito embora um pai deseje o melhor para o filho, sempre estaremos tendentes a atender nossos próprios anseios, sonhar e buscar nossos sonhos, muitas vezes tateando no escuro, entre erro e tentativa, noutras tantas andando em círculos ou pegando estrada completamente adversa. Ops, não era por aí! Errar é da essência humana. Não importa se criança, adolescente, jovem, adulto ou ancião. Muitas vezes por pura ingenuidade, inexperiência ou por conta dos cabeças-duras que somos. Insistimos em algo que vimos de cara que não ia dar certo. Teimamos em trilhar aquele percurso esfarpado correndo o risco de nos machucar. Fazemos ouvidos-moucos a qualquer advertência. Ignoramos os contratempos. Fechamos os olhos e nos entregamos a toda sorte de viver.  

Em tese, somos frutos das nossas escolhas, daquilo que elegemos. Digo, por via de regra, porque o que nos acontece é resultado não só do que traçamos, planejamos, nos deixamos levar, enfim vivemos. É decorrente também da presença ativa e passiva de demais atores que contracenam no mesmo palco, que por acaso, ou não tão por acaso assim cruzam nossos caminhos, pegam carona na mesma estrada. Pensando assim, nossas escolhas de algum modo interferem na vida do outro. Refletindo sobre isso, a vida que nos foi concebida, que acolhemos nas mãos como uma tarefa a cumprir, um papel a desempenhar, requer muito mais cuidados. Mais direcionamento e ponderação.  Daí vem o questionamento: o que estou fazendo com minha vida, com o presente que me foi dado?  De que modo estou interferindo na vida do outro? É sempre bom repensar e avaliar a direção dos nossos passos.  Espreitar na linha do horizonte o rumo que estamos dando à nossa história. E sempre que necessário recompor, reconstruir, recomeçar.  Se precisar voltar, volte. Se for pra seguir, então que siga. Não importa se errou, se perdeu, se fracassou e inúmeros tantos se. Durante a nossa existência teremos acúmulos de erros e acertos, perdas e ganhos, encontros e desencontros, chegadas e partidas. É um processo de amadurecimento e aprendizagem.  O importante é o que fazemos com tudo isso, com nossas experiências.  No final é o que conta. Que nunca paremos de tentar, insistir e persistir. De fazermos o melhor. Buscarmos o melhor. E que o nosso melhor jamais seja o pior para o outro.

_ Angella Reis
  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Do avesso




É estranho como alguns sonhos nos remete a situações aparentemente vivenciadas, não pela narrativa dos fatos, mas por não terem nexo, por não fazerem sentido. Tenho me perguntado por que entre a gente não há entendimento possível. Por que estamos sempre nos confrontando como se estivesse sob o efeito de uma provável cegueira, impedindo-o de ver com clareza as coisas ou se deixasse levar pela maledicência alheia, enveredado por tramas sórdidas, ou eu que não enxerguei de imediato à verdadeira face que o encobre.

Desculpe-me, mas é tão estranho parecer odiar e maltratar alguém que gosta tanto de ti, assim do nada, sem motivos e sem nenhuma razão lógica. Martelei a cabeça procurando entender, mas não consegui.

Sonhei contigo a noite passada, um sonho esquisito. Eu estava numa sala ampla dando uma palestra para jovens. Tinha muitas sacolas numa mesa, duas delas pesavam como chumbo, um buquê de rosas que eu havia ganhado num móvel ao canto da sala. Ao término da palestra ofereceu-me para ajudar. Eu estranhei, e perguntei você me ajuda? Mas fiquei grata e feliz. Olhei de soslaio aquele homem alto e gentil ao meu lado, como era logo no início. Tive uma imensa sensação de segurança. Ele era uma fortaleza. De repente, questionou-me por que eu havia convidado o sargento para ajudar-me com os apetrechos e disse-me que também sabia manusear uma arma. Pegou uma, calibre 38, encheu de balas e mostrou-me orgulhoso de si. Respondi que eu não o havia convidado, ele que tinha se oferecido. E seguimos caminhando lado a lado até minha residência. Chegando lá procurei o buquê de rosas vermelhas, em até certo desespero pelo grau de importância que tinha para mim. Retornei ao local para ver se não havia esquecido onde tinha colocado anteriormente até que encontrei na residência dentro de uma bolsa plástica, num vaso de lixo. De repente, o amor, a paixão avassaladora que senti tinha sido jogada ali. De repente, o homem gentil que fez meu coração transbordar de encantamento e carinho transformou-se num algoz, com arma em punho, orgulhoso de seu poder. De repente, tudo mudou. E nada, por mais que se queira, por mais que tente, seria novamente como antes.


_ Angella Reis

sexta-feira, 26 de outubro de 2012



No dia 02 deste mês meu pai amado veio a óbito. Dias depois de eu ter escrito o texto anterior "Atravessemos" onde digo que:  "A vida é uma passagem... Que ela não para. Ela segue, o tempo passa, e é da natureza ir em frente, não estacionar no tempo, porque nada é permanente, tudo é passageiro. Somos passageiros etéreos dentro do temporário. Que é preciso enfrentamento, não fugir, seguir adiante, estar preparado e sempre pronto para o próximo salto". Sofri, derramei minhas lágrimas, mas aceitei resignadamente. Não é fácil perder um ente querido, perder quem amamos, mas não podemos alterar àquilo que não pode ser modificado. Como já havia escrito: "Nem sempre saber lidar com perdas, mas elas sempre ocorrem como impulso natural da vida". Cabe-nos tão somente aceitar. Penso que a minha forma de olhar a vida, a minha fé, o amor que tenho dentro do peito e o fato de que ele já vinha enfrentando problemas de saúde me ajudaram a suportar a dor e encarar de forma serena as coisas. O que escrevo neste momento é apenas um comunicado, justificar o porquê de após meu retorno, depois de meses, tenha novamente necessitado de pausas.  

Meu abraço sincero a todos.




domingo, 30 de setembro de 2012

Atravessemos





De repente a gente acorda e decide dar um novo rumo à nossa vida. À busca daquele projeto tão sonhado e que fora alimentado há anos, aparentemente esquecido, ou adiado em razão de determinadas circunstâncias. Chega um momento que tudo parece fora de lugar, que não mais se encaixa, como se tivesse faltando um pedaço; ou se enquadra, como uma fotografia velha num ambiente arrojado. O tempo passa, o mundo se transforma. A gente muda ou sente a necessidade de mudança. Todo dia é novo. É a vida em movimento, nos pedindo abre alas. Então, a gente decide abandonar as roupas usadas, sentir outros ares, redescobrir-se, se vestir do novo que virá. E segue na contradança dos passos, engrenados por desejos, indo ao encontro de nós mesmos, em busca de respostas para nossas inquietações. É obvio que ninguém tem a fórmula certa, uma bússola que indique qual o melhor caminho ou a escolha perfeita. Talvez, tomar aquele percurso, pegar àquela estrada, não seja a decisão mais acertada, mas se não nos movermos nunca saberemos aonde chegar. Adentraremos tão somente no campo da imaginação, presos ao nada, aquém das realizações, frustrados por não termos a coragem suficiente para ir além.

Às vezes nos acovardamos... Tememos dar o primeiro passo para o desconhecido. É muito fácil e cômodo viver àquilo a que estamos habituados, sem os riscos, sem as mudanças que nos assustam. A palavra de ordem é travessia. Afinal, a vida é uma passagem, um bilhete premiado que nos permite viagens no tempo e no espaço. Um caminho, um trecho onde atravessaremos pontes, rios, mares; Percorreremos estradas e labirintos infindáveis. A vida não para. Ela segue, o tempo passa, e é da natureza ir em frente, não estacionar no tempo, porque nada é permanente, tudo é passageiro. Somos passageiros etéreos dentro do temporário. É preciso enfrentamento, não fugir, seguir adiante, estar preparado e sempre pronto para o próximo salto. Vencer o medo. Esse medo que nos paralisa, que nos impede de alçar voo, de viver a fundo, nos satisfazendo com a superfície, com o que é possível de ser alcançado.

Esteja aberto, deixe-se levar, conduzir em passos de (mu)danças, através delas nos trasladamos. Atravessemos.


Angella Reis



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012



"(...) toda pessoa deve ter um par (de asas) perdido ou achado por aí nesse mundão de Meu Deus! Daí a gente espera, não espera, pega estrada, segue o curso, corta caminho ou roda como numa ciranda, muda o rumo, erra/acerta o passo e cruza com alguém que nos faz experimentar sensações até então desconhecidas porque vindas de um jeito novo. Que nos faz delirar, provocar uma sinergia, um descompasso em meio ao calor trêmulo dos passos, o desejo ardente de perde-se naquele abraço, embriagar-se de beijos, fundirem-se entreolhares e entregar-se com paixão. O novo, vestido de flores, sol e sorrisos, tecido de algodão bordado de carícias e coração. (...) Deseja vesti-lo, sentir colado à pele o teu avesso, o vestido mais perfeito, e reza para que te caia bem, que te vista como uma luva, que se encaixe perfeitamente em você, na medida certa do/para o amor, sem mais" (Angella Reis)




"Parecia haver uma confluência de águas, por um momento, um instante que pareceu infinito nos segredamos um ao outro..."

(Angella Reis)


"E na tela viva nasce o poeta que pinta n'alma palavras coloridas - um traço de Deus"

(Angella Reis)



"Porventura, todos os caminhos por quais trilhamos estão traçados na palma das nossas mãos, e, quiçá, marcados nas calçadas invisíveis do espaço que se cruzam e por vezes se entrelaçam em tantas outras. Num emaranhado algumas dão nós, outras se tornam laços, feitos e desfeitos"

(Angella Reis)



"(...} a saudade é uma menina que brinca com o tempo. Ah! E como brinca, ri e chora ao mesmo tempo. O tempo às vezes briga com a saudade dizendo que tem que seguir em frente, mas a saudade sempre quer voltar - isso me faz recordar uma citação de Rubem Alves in O amor que acende a Lua: “A saudade é nossa alma dizendo para onde ela que voltar" -, mas o tempo não volta. É teimoso o tempo, ou teimosos somos nós?" (Angella Reis)


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Flor dos Quereres – 2012




Ingressar num novo ano é como adentrar em outra dimensão de nós mesmos. A vida que se desdobra. A porta se abre e nos brinda com o raiar de um novo dia. Cores que já estamos acostumados a ver, mas brilham de um jeito especial, diferente, porque vistas com o olhar de quem olha o verde da vida, que vai nascendo, brotando, desabrochando em recomeço. Então, olhamos para trás e despedimo-nos do ontem, do sábado e todos os dias anteriores enquanto o hoje pacientemente nos espera com os amanhãs e todos os dias que virão [até quando não sabemos. Essa é uma das peças que compõe o mistério].

Abraçamos entre lágrimas e sorrisos os dias idos e guardamos os momentos numa caixinha de memórias, como a um relicário de doces lembranças. Há coisas, no entanto, que queremos livres, nos desprender, deixar que o vento leve para longe [se retornadas que venham suavizadas pela marca indelével do tempo] outras tantas desejamos ardentemente esquecer ou nunca tê-las vivido, ao menos se pode dizer é passado, ainda que, por vezes, sombras rondem a casa do coração deixando vestígios de sua passagem. Passado que se faz presente em recordações, insistem em reaparecer mesmo quando se soubera esquecidas, burilando quase sempre a mesma ferida. Não sabemos os porquês de certas coisas e muitas vezes nos afligimos, seja pela perda de um amor, um projeto que não deu certo, a doença que nos pegou de surpresa, a morte de um ente querido, enfim. Mas se nada ocorre por acaso, se tudo em uma razão de ser e de existir por que nos questionarmos tanto e buscarmos entender àquilo que no momento não é possível ser compreendido? Clarice tinha razão: “Não procure entender, viver ultrapassa todo e qualquer entendimento”. E talvez viver seja isso, não para ser passível de se fazer sentido, mas para ser sentida, então, eu sinto. Sinto pulsando em minhas artérias o mistério que é a vida. Ela própria se explica, com o tempo.

Não inculque com certas coisas, nem lamente determinados fatos, o que viveu ou o que deixou de viver. O que passou não pode ser alterado, mas a vida nos dá uma nova chance de continuar escrevendo a nossa história. E cabe a mim, a você abraçar e aproveitar o presente que nos é dado. É certo que não sabemos o que nos espera, por detrás das folhagens verdejantes há uma imensa floresta, mas vale a pena prosseguir, correr todos os riscos, desbravar a mata virgem e colher a flor dos dias que germina na terra. ‘Não tenha medo de viver a vida, tenha medo de não vivê-la’.

O domingo nos recebe com uma folha em branco festa, ano novo, vida que se renova, nua flor, flor dos quereres.

Faça a sua prece!


Angella Reis

sábado, 24 de dezembro de 2011

É Natal




É Natal. O badalar dos sinos ressoa misturados aos sons dos corações que tocam em uníssono. É chegada a mais bela data de todos os anos. A mais pura e singela beleza emoldurada pelo brilho do amor que paira sobre nós. Época que todos se dão as mãos e elevam o olhar numa única direção, à estrela guia esperança. E, neste dia tão especial que o Verbo Amor se fez Carne entre nós que possamos antes de qualquer coisa agradecer a Deus, ao nosso Papai Noel Maior pelo presente chamado Vida. Afinal que data melhor pra se fazer isso senão no dia que se celebra a vinda, o nascimento do menino Jesus? É com o olhar de quem ama e de quem espera o melhor que vida pode oferecer (porque a Vida é assim além de ser Flor da existência que nos foi concedida com muito amor, como maior e mais belo Presente, ela própria nos presenteia a cada passo, a cada descoberta. A vida é presente constante) que meus desejos tremulam ao vento pedindo a Deus que o Espírito Natalino, essa íntima relação entre todas as almas humanas iluminadas pela Luz Divina, perdure não só nas noites de Natal, mas durante os 365 dias do Ano. Que a Vida se refaça e se renove em cada um levando embora todas as dores (mágoas, rancores, tristezas e angústias). Que as energias positivas somadas e irradiadas neste dia deem um colorido maior aos dias que virão. Que o fogo do Amor aqueça e envolva a todos com ternura e afeto. Que sejamos mais entrega e doação. Que a semente da Flor de Amor plantada hoje floresça e que a alegria, a bondade, a harmonia, a fraternidade e a paz se façam sempre presente. Amém!

Desejo um dia recheado de coisas boas, de abraços e sorrisos sinceros e muito, muito amor. Feliz Natal a todos! Paz e Bem! =*

[Angella Reis]

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Apelo




Papai
Ao olhar teu retrato
Tenho saudades profundas
De coisas comuns
Dos breves e longos momentos
Em que estivemos juntos
Das boas risadas
De ouvir tua voz
Chamando-me
Cheio de ternura
Sonhar com você
É viver outra vez
Um passado que não volta mais.

Recordo aquele trágico instante...

A lei sem nome
Bate à porta
E pede que abra em
nome de tal lei.
Que Lei?
Em nome de poderes?
Do uso desmedido da força?
Da força de armas em punho
Do império de homens maus
Que não são felizes e
Nem trazem felicidade?
Que se dizem no devido cumprimento do dever?
Que dever?
Acaso há dever sem Lei?
Sem mandado?
Não! Não devo conter meu grito
Não posso calar a voz que palpita
Em meu peito aflito, ferido.

Escuta, escuta este apelo em versos livres
Fecha os olhos e sinta
A lâmina cortante em minha alma
A dor lancinante que senti
Ao presenciar a seqüência de atos
Brutalmente executados
Que fizestes papai?
E se fizestes?
Por acaso algo descomunal
Que pudesse acarretar o mal sofrido?
Acaso, é direito ceifar a vida de alguém com bases em futilidades?

Vige um tempo de ruínas
Em que o descrédito na lei ameaça tolher-nos
É certo sentirmo-nos intimidados com a própria polícia?
Que assusta, que amedronta
Não! Quero acreditar que a Justiça existe
E, faz morada na paz,
E é de lá que surgem
Os desejos, as emoções,
De todas as crianças,

Quero crer que onde há sociedade,
Aí há justiça

Quero crer que o direito de exercer a força
Não pode ser superior à força do direito
O direito que vem das minhas entranhas
O direito que clama o meu pequenino ser,
Implorando o devido cumprimento do dever

Não! não quero crer que a impunidade seja vivenciada
Quero crer na paz social, na ordem pública e na aplicação da lei
A lei com nome.
A lei que é lei
E fazer jus ao suor das minhas lágrimas.


Angella Reis



*Poema inspirado em fato verídico, na dor de uma criança ao presenciar cena de violência policial perpetrado contra seu pai.

Ps.: Sem querer macular a classe que tbém é composta por homens sérios e de excelência profissional.


"Gosto da brisa que acaricia ou a lufada forte que joga para trás e impulsiona para frente. De sentir o sangue ferver e a adrenalina subir a mil. Do sopro que realimenta e faz encher e transbordar de existência"

[Angella Reis]



"E mesmo com meu olhar distante lembro de você a cada instante"

[Angella Reis]



"(...) A bem da verdade era o descompasso do meu coração ribombando ao compasso de uma sinfonia musical orquestrada por arcanjos. Sintomas, talvez, de amor, saudade e uma pitada de esperança ao rever o bem amado"

[Angella Reis]



"É assim que me encontro, desabrochando, amanhecendo, se dando para a vida, talvez ainda num caminhar incerto, mas o tempo é feito de incertezas, de vacilações, e é desta forma que sou, inconstante, feita de metades e incompletudes que se complementam e se inteiram entre si. Mulher de fases!"

(Angella Reis)



"(...) A vida não foi feita para se economizar, por isso gaste-a, Viva, sem medo, ou terá ficado, para sempre, às margens de si mesma ... Para sempre é muito forte!" (Angella Reis)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Encontro



Há muitos ao redor desejando a visão do paraíso, o modelo de anjo que se faz sol, mas à minha frente há apenas um. Todo o resto são rostos e vozes desconhecidos na multidão. À nossa volta um círculo formando um elo, nossos olhos se cruzam, baixo os meus para evitar o choque elétrico. Os lábios dele sorriem levemente e eu me pergunto se o motivo é por estar a escutar o descompasso do meu coração. Caminho até o portão de desembarque onde me espera com um sorriso de boas vindas!

Como poderia imaginar que depois de anos o que fora partida tornar-se-ia encontro, não marcado, mas predestinado, previsto na janela do tempo. Parafraseando Caio Fernando Abreu: ”O que tem de ser tem muita força”. É tipo não poder afirmar categoricamente, dessa água jamais beberei porque por mais que nossos atos sejam determinantes há sempre algo que nos escapa, foge do nosso controle. Você pode fazer planos de viajar por outros ares e no percurso, ou antes, de concretizar a idéia, haver uma mudança brusca que te leve a outro lugar e lhe apresente ‘o chamado: inesperado’, exteriormente, porque no recôndito, no fundo, fundo mesmo, há infinita espera, ainda que inconsciente, perdido, esquecido, guardado ou adormecido em algum lugar, talvez em gavetas de desistências. Há coisas que não valem à pena persistir e há coisas que não são permitidas, porque vieram desencontradas, ou nem tanto assim, visto que tudo tem o momento certo. Porventura, todos os caminhos por quais trilhamos, estão traçados na palma das nossas mãos, e, quiçá, marcados nas calçadas invisíveis do espaço que se cruzam e por vezes se entrelaçam em tantas outras. Num emaranhado algumas dão nós, outras se tornam laços, feitos e desfeitos.

E agora essas linhas nos puxam ao encontro um do outro como se estivéssemos atados a um anzol, fisgados pela boca, vontade de devorar o que já consome, os olhos afoitos suplicam, mas os passos são comedidos como a temperar dentro do peito a emoção. À espera das horas.

Milagre é ver o impossível se realizar a cada instante.


Angella Reis


*Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

domingo, 11 de dezembro de 2011



"Basta que eu queira, e eu quero Meu Deus! Eu quero experimentar novamente a doçura da graça que passa. O calor ardente do sol, o perfume que paira na atmosfera e embriaga. Ouvir o riso das estrelas, o sorriso misterioso da lua e se deixar contagiar. Permitir o vento levar as asperezas que atravancam o caminho. Florescer! Entregar-se e entregando-se não sentir-se metade, não ficar partida, mas inteira e plena, como plenos devem ser os dias"

(Angella Reis)



"É como uma árvore criou raízes fundas dentro de mim. Os galhos atravessam, crescem para fora, me abrigam e eu me deito à sua sombra.”

(Angella Reis)



"Contemplou a garota que olhava para ela e ela por sua vez mirava a imagem refletida. Mirou-se mais uma vez e gostou do que viu"

[Angella Reis]


"Não sei se você é tudo isso que imagino, que deixa transparecer tanto em ti, só sei que é o bastante para te querer"

[Angella Reis]



"Não quero parar no meio do caminho, quero continuar a seguir em frente"


Angella Reis

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Memórias da infância - Ser criança



“Quando eu era pequeno
Tudo ficava perto,
Pertinho para chegar ao céu
Bastava uma subidinha,
O sonho me alcançava
Para ir tão longe como queria,
Quando eu era pequeno
Eu sim podia
Eu sim podia” (Silvio Rodriguez)



Sábado de aleluia, casa cheia, familiares, amigos, crianças correndo pra lá e prá cá. A mesinha da sala de estar estava repleta de álbuns de fotografia, todos remomeravam o passado. Burburinho, algazarra, saudades de quem já se foi... E as crianças correm a brincar como se o tempo tivesse parado ali. Vivem como ninguém a intensidade do momento. Passo a observá-las. Quanta sabedoria há numa criança. Meu desejo é estar com elas, a criança que há em mim. Elas sim sabem viver. Os adultos deviam se espelhar nas crianças. Deviam ser como as crianças. O adulto quando discute, briga com alguém, geralmente não perdoa. A criança em sua mais tenra sabedoria se desentende com o coleguinha, no segundo seguinte esquece, e logo torna a brincar de novo, dar as mãos. Hoje,

já adulta, ainda sinto a criança em mim, talvez devido à minha sensibilidade, e como bem diz Rubem Alves: “Como os salmões, que deixam o mar e voltam às nascentes, os poetas desejam voltar às suas origens. É lá que mora a verdade que os adultos esqueceram. Fogem da loucura da vida adulta. Buscam reencontrar a simplicidade da infância. E no meu poema mãos dadas, eu busco um pouco disso, desse efeito que o ser criança nos causa...


“De mãos dadas
Corriam entre os campos
Com um sorriso de orelha a orelha
Subiram numa escada que dava para o infinito
Pousaram o ouvido nas nuvens
Saltitaram pelas estrelas
E voaram nas asas do vento
Suas risadas ecoavam por todo o canto
E enchiam de paz e ternura
O coração de todos os seres do universo”



E assim, ao observá-las, todas as memórias da minha infância me vêm à tona uma a uma... Quando eu era criança sempre sonhava que tinha uma nave espacial e que salvava as pessoas do mundo inteiro... Hoje, percebo que são as próprias pessoas que estão destruindo o planeta e a si mesmos. Eu poderia reavivar agora cada memória, de todas as brincadeiras da infância, da passagem pelo coral das crianças na igreja São Francisco de Assis, de todas as histórias... Mas inúmeras seriam as horas. Muita coisa nos marca na infância fica dentro de nós. Lembro de um rapaz que desmaiou na rua em que eu morava. Muitas pessoas se amontoaram ao redor, mas não tiveram coragem de se aproximar, alguns cochichavam “pode ser alguma doença, ou não sabemos de quem se trata”. Minha avó materna colocou a cabeça dele no colo, deu-lhe algo para cheirar e quando ele voltou a si, o fez bebericar um copo de leite. O desmaio dele era fome. Ele tinha fome de comida, esperança e solidariedade. Mas nesse dia ele encontrou. Ele estava de passagem, era de outro Estado e precisava ir ao encontro de sua mãe, mas não dispunha de recursos. Minha avó, minha mãe e algumas mulheres do bairro puseram-se a arrecadar uma quantia suficiente para que o mesmo viajasse sem maiores preocupações. Nesse dia, o viajante dormira em uma das casas de minha família na qual eu lecionava. Eu tinha onze anos, inda menina. No dia seguinte, fui encarregada de levar-lhe a refeição matinal. Ele estava desenhando na lousa, era JESUS. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Ele olhou-me e disse: “Um dia vou voltar para agradecer”. Foi num ambiente assim que cresci. Pai, mãe, avós, irmãos, tios, primos, união, amor e preocupação com o próximo.

“Aquilo que os adultos esqueceram e que a sabedoria busca – as crianças sabem. Ser criança é ser sábio” (Rubem Alves)


Angella Reis


”Não quero criar expectativas quanto ao que me espera, cansei de ilusões. Quero a plenitude daquilo que ainda não sei. Quero o inesperado batendo à minha porta. Algo bom, na fé! Não importa o que, só que seja bom”

[Angella Reis]

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