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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Apelo




Papai
Ao olhar teu retrato
Tenho saudades profundas
De coisas comuns
Dos breves e longos momentos
Em que estivemos juntos
Das boas risadas
De ouvir tua voz
Chamando-me
Cheio de ternura
Sonhar com você
É viver outra vez
Um passado que não volta mais.

Recordo aquele trágico instante...

A lei sem nome
Bate à porta
E pede que abra em
nome de tal lei.
Que Lei?
Em nome de poderes?
Do uso desmedido da força?
Da força de armas em punho
Do império de homens maus
Que não são felizes e
Nem trazem felicidade?
Que se dizem no devido cumprimento do dever?
Que dever?
Acaso há dever sem Lei?
Sem mandado?
Não! Não devo conter meu grito
Não posso calar a voz que palpita
Em meu peito aflito, ferido.

Escuta, escuta este apelo em versos livres
Fecha os olhos e sinta
A lâmina cortante em minha alma
A dor lancinante que senti
Ao presenciar a seqüência de atos
Brutalmente executados
Que fizestes papai?
E se fizestes?
Por acaso algo descomunal
Que pudesse acarretar o mal sofrido?
Acaso, é direito ceifar a vida de alguém com bases em futilidades?

Vige um tempo de ruínas
Em que o descrédito na lei ameaça tolher-nos
É certo sentirmo-nos intimidados com a própria polícia?
Que assusta, que amedronta
Não! Quero acreditar que a Justiça existe
E, faz morada na paz,
E é de lá que surgem
Os desejos, as emoções,
De todas as crianças,

Quero crer que onde há sociedade,
Aí há justiça

Quero crer que o direito de exercer a força
Não pode ser superior à força do direito
O direito que vem das minhas entranhas
O direito que clama o meu pequenino ser,
Implorando o devido cumprimento do dever

Não! não quero crer que a impunidade seja vivenciada
Quero crer na paz social, na ordem pública e na aplicação da lei
A lei com nome.
A lei que é lei
E fazer jus ao suor das minhas lágrimas.


Angella Reis



*Poema inspirado em fato verídico, na dor de uma criança ao presenciar cena de violência policial perpetrado contra seu pai.

Ps.: Sem querer macular a classe que tbém é composta por homens sérios e de excelência profissional.

domingo, 20 de novembro de 2011

O mundo não vê



Não nasci ao acaso,
Nem o acaso me trouxe até aqui
Percorro um caminho que ainda
Não sei onde vai dar,
Janelas abertas,
Portas abertas,
Cabeças!
O mundo não vê
indiferente ao sofrimento que passa,
Olhos vendados, Lábios mudos
Não há algum grito,
Não se escuta mais a dor que passa
Já não importa
Que vida, meu Deus!

Crianças em sua tênue inocência
Brutos invadem suas almas
Flagelam pobres coitados
O mundo não vê

A lua chora
O sol arde irado
O mundo não vê

A fome maltrata
Corpos doentes,
Retrato da violência
Janelas abertas,
Portas abertas
Cabeças
Olhos vendados
O mundo não vê
Não se faz nada

Maria chora
Pobre anjo dilacerado
Velhos não suportam o peso da cruz
O tempo jaz
Verdes mares, esperança
Quando?
O mundo enlouquecido não vê
Não se escuta mais os gritos
Não se dá mais atenção
O mundo cansado,
Vencido
Não se luta mais
Oh! Famigerada violência

Desertos
Olho em volta, nada!
Janelas abertas
Portas abertas,
O mundo fechou
Um vazio
Cabeças sumiram no pó
A terra escureceu
Num grito de dor
Que posso fazer?

Sopra um vento
Um fio de esperança
Quem sabe
Bons tempos virão...


Angella Reis

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Estrada quebrada

imagem google


“Penso que todos os passos perdidos são meus”
Chico Buarque

“Pode alguém subtrair nossa esperança?
Só se não soubermos
Nem quem somos
Nem de onde brotam os sonhos de criança”
Carlos Augusto Cacá
"Tic, tac, tic, tac
O pêndulo do relógio é o único ruído no silêncio da falta que me faz...
o tempo escoa”
Angela Reis


imagem google


Bem, eu estou aqui
Voei o mais alto que pude
Para te encontrar
Bem, onde está?
Nos desertos que galguei
Vi miragens...
Ao avistar-te ao longe
Segui teus passos
Raios de luz sempre a me guiar

Tempestade de areia atravessou meu caminho
Varrendo teus rastros do chão
Sem rumo me vi, sem direção
Bem, bem (eco)
Bem, estou aqui, aqui (eco)
(Ouço apenas minha voz)

Nuvens se descortinam em tons de cinza
Onde céus e terra se avistam
No peito há um vazio a torturar-me
Vejo-me aqui, distante, perdida
Nessa estrada quebrada
O abismo e meu vazio se encontram
À minha frente um mar de águas densas e profundas,
Lembrou-me o teu mar,
Lembrou-me o meu mar

Pernas trêmulas, pés fatigados,
Dobram-se joelhos e se prostam numa oração:

“Bem, estou aqui
Anseio por teu sorriso,
Tua branca luz
Bem, preciso sentir o calor do teu abraço,
A tua mão na minha mão
Desejo ouvir a tua voz sussurrando-me ao ouvido
Dizendo-me que está tudo bem, que vai ficar tudo bem
Bem, estou onde a terra, o céu e o mar se encontram
Bem, eu estou aqui
Bem...”
Angela Reis


"O amor é uma flor delicada,
mas é preciso ter coragem de ir colhê-la à beira do precipício"
Sthendal






Talvez não ser
É ser sem que tu sejas
Sem que vás cortando
O meio dia com uma flor azul...
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
Sou e somos
E por amor
Serei... serás... seremos...

Pablo Neruda

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