
Papai
Ao olhar teu retrato
Tenho saudades profundas
De coisas comuns
Dos breves e longos momentos
Em que estivemos juntos
Das boas risadas
De ouvir tua voz
Chamando-me
Cheio de ternura
Sonhar com você
É viver outra vez
Um passado que não volta mais.
Recordo aquele trágico instante...
A lei sem nome
Bate à porta
E pede que abra em
nome de tal lei.
Que Lei?
Em nome de poderes?
Do uso desmedido da força?
Da força de armas em punho
Do império de homens maus
Que não são felizes e
Nem trazem felicidade?
Que se dizem no devido cumprimento do dever?
Que dever?
Acaso há dever sem Lei?
Sem mandado?
Não! Não devo conter meu grito
Não posso calar a voz que palpita
Em meu peito aflito, ferido.
Escuta, escuta este apelo em versos livres
Fecha os olhos e sinta
A lâmina cortante em minha alma
A dor lancinante que senti
Ao presenciar a seqüência de atos
Brutalmente executados
Que fizestes papai?
E se fizestes?
Por acaso algo descomunal
Que pudesse acarretar o mal sofrido?
Acaso, é direito ceifar a vida de alguém com bases em futilidades?
Vige um tempo de ruínas
Em que o descrédito na lei ameaça tolher-nos
É certo sentirmo-nos intimidados com a própria polícia?
Que assusta, que amedronta
Não! Quero acreditar que a Justiça existe
E, faz morada na paz,
E é de lá que surgem
Os desejos, as emoções,
De todas as crianças,
Quero crer que onde há sociedade,
Aí há justiça
Quero crer que o direito de exercer a força
Não pode ser superior à força do direito
O direito que vem das minhas entranhas
O direito que clama o meu pequenino ser,
Implorando o devido cumprimento do dever
Não! não quero crer que a impunidade seja vivenciada
Quero crer na paz social, na ordem pública e na aplicação da lei
A lei com nome.
A lei que é lei
E fazer jus ao suor das minhas lágrimas.
Angella Reis
*Poema inspirado em fato verídico, na dor de uma criança ao presenciar cena de violência policial perpetrado contra seu pai.
Ps.: Sem querer macular a classe que tbém é composta por homens sérios e de excelência profissional.


