
sábado, 8 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Vozes do silêncio - expressão de sentimentos

Estava aqui a divagar as várias conotações do silêncio, as diversas sensações que nos provoca. E nesse exato momento encontro-me assim mergulhada no silêncio do meu quarto, nenhum ruído, só a fala dos meus pensamentos que jorram dentro de mim a espera que os resgatem em palavras. Que poder há numa singela palavra. Silêncio! Ausência de fala ou expressão de sentimento? Não quero ouvir; não quero falar; quero estar em mim, aqui no meu lugar; não sei o que dizer; é no silêncio que te falo; contemplação. Como se pode notar o silêncio não é só silêncio, ausência de fala, é expressão de sentimento, e indo mais longe é um expressar que não se expressa, ou um não querer expressar-se e por fim acabar expressando-se. Subtendido, mal ou bem interpretado.
O silêncio sente... O nosso sentir, o do outro e/ou o que normalmente nos provoca. O silêncio é acalanto, é pranto, é fala sem falas. É um estar em si, é um estar em nós. É um estar em nada, é o vazio perdido em palavras que foram ditas, mas nunca ditas. É suspiro, regozijo, imensidão, limitação, perdição de minha ou tua alma. Paixão que se cala, amor que não fala, falta de coragem, sensatez/insensatez, provocação.
Vê, o silêncio fala e cala. E como às vezes dói o silêncio, a procura de palavras que não vem; o som que não se consegue ouvir. São pensamentos intrínsecos, perdidos no vazio de outro vazio, que dão margem a várias interpretações (nessas várias interpretações o silêncio fala) e cala porque no fundo, no fundo mesmo, não sabemos o que pensar. Isso deixa-nos perdidos, às vezes até inseguros em tais momentos assim, sei lá... Era tão simples falar, dizer o que vem n'alma.
E nessa busca de palavras, bendito sejais o silêncio quando muitas vezes não foram ditas, porque assim pudera evitar um mal maior. Cuidado. Ponderação. Calar para não ferir. Calar para se preservar.
Bendito, ainda, sejais o silêncio, quando brota de olhares apaixonados. Doce e terno, nos faltam palavras para expressar de forma tão sublime a sua fala, sentimento. Deixa-se de ser vazio, torna-se preenchimento.
É também do silêncio que nasce o ouvir, não basta o silêncio de fora, urge o silêncio de dentro, ouvir e entender o que vai n’alma, do outro, da nossa. É no silêncio também que nos prostamos em oração, ficamos mudos, sem fala, submersos, como num mergulho no fundo do mar.
O silêncio é tempo, tempo de estar comigo, tempo de estar a sós. Tempo de estar com Deus!
Silêncio, silenciosamente falando, canto, encanto/desencanto... expressão/encontro/desencontro de almas. É um estar em mim, é um estar em vós. Sentir, ouvir, calar, falar, comungar.
Angela Reis
quarta-feira, 5 de outubro de 2011


quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Entre o sono e o sonho: amor desperto

Há tempos que meu coração me pede para voltar, é que a saudade é tanta, e às vezes lateja, fazendo reboliço mar adentro desejos despertos. Os sentidos parecem ficar ouriçados e eu passo a degustar o vermelho que o ardor da paixão me provoca. Ainda o sinto impregnado em mim por inteiro, grudado ao meu corpo como uma segunda pele. Por uma fração de segundos fecho os olhos esperando que a nuvem de pensamentos desconcertantes dissipe, mas continuam a sobrevoar. Olho no espelho retrovisor e a imagem refletida não sou eu. Mas o que estou a pensar? A verdade é que ando um tanto que indisciplinada, como se a obediência fosse meu forte! Não me deixo conduzir a nenhum comando, e o cérebro ousa me ditar ordens? O coração sempre falou mais alto, e isso é perigoso porque quase sempre comete loucuras. “Há sempre loucura no amor. Mas há sempre alguma razão na loucura”. Que o coração também não me diga o que fazer. Então a quem devo seguir? Não quero pensar em nada e não entendo porque de repente fiquei tão brava, acho que porque não gosto de sentir-me presa. E vejo-me assim em tal marasmo. Mas no amor há uma espécie de liberdade. Sei que tudo parece um pouco confuso, mas há que existir sentido no não sentido das coisas. “E há o amor. Há o amor que tem que ser vivido até a última gota, sem nenhum medo, não mata”. E eu o amo, e isso é o que importa...
De onde vem essa vontade súbita, esse impulso repentino de querer voltar? Há uma voz que não quer calar, sussurra baixinho no meu ouvido fazendo arrepios na minha espinha dorsal. Peguei estrada. E de repente o vejo, eu sou ele, e ele sou eu, fundidos numa luz incandescente, cobertor em chamas... Queria oferecer algo grandioso que pudesse proporcionar-lhe uma felicidade indescritível e gozar n’alma teus sorrisos de um coração terno amor desperto... Desperto, porque justamente agora essa palavra soou dentro de mim? Abri os olhos e me vi entre travesseiros e cobertores, entre o sono e o sonho, entre a loucura e a razão. Todos esses pensares deram-se enquanto dormia? Foi tão real e latente... E acordo justamente quando alcançava o estado agudo de felicidade, cenas dos próximos capítulos... Quantos meandros hei de percorrer para te encontrar e assim ver se também me encontro? E o suor do meu corpo dá-me todas as respostas que preciso no momento... Passeia-me, percorrendo curvas, subindo, descendo, montanhas, vales... Segue seu curso como um rio que corre para o mar... No silêncio do quarto só a respiração ofegante.
Que mania é essa de fazer acontecer, mudar rotas e não esperar pacientemente a sequencia natural de todas as coisas?! Não quero efeito borboleta.
Angela Reis
beijinhos ;)
sábado, 24 de setembro de 2011
Selinho repassando

sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Ganhei mais um selooo :)

Um selo de amizade e reconhecimento que recebi da minha querida Pedras Nuas do blogue Os meus ensaios (http://passosnoescuro.blogspot.com/) a quem fico muito grata. Pedras é alguém por que nutro grande admiração e imenso carinho. Obrigada amiga!! =*
domingo, 18 de setembro de 2011
Tô voltando pra casa
Beijinhos
Angela Reis
sábado, 17 de setembro de 2011
Amava a liberdade. Era um amar que não conseguia traduzir em palavras, apenas sentia, pulsava, como se fosse a quinta essência ou o elemento perfeito; que fazia parte do cosmo ou a ele se integrava. Estava entre o ar, a terra, a água, o fogo, e tudo o que mais compunha a natureza. Sentia-se parte, e, portanto, sentia-se bem tão em contato com o inefável.
Angela Reis
Retornando amigos! Saudades de todos!!!! beijos no coração =*
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!
Coloque no coração
laços de cetim
rosa, amarelo,
azul, carmim,
Decore seu olhar
com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante
Em sua lista de presentes
em cada caixinha
embrulhe um pedacinho de amor,
carinho, ternura,
reconciliação, perdão!
Tem presente de montão
no estoque do nosso coração
e não custa um tostão!
A hora é agora!
Enfeite seu interior!
Sejas diferente!
Sejas reluzente!" (Cora Coralina)


Um beijo terno
Angela Reis
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Amor e fé

sábado, 13 de novembro de 2010
Flor azul
The Kiss - Gustav KlimtEstive a espera por longa data, mas você veio. Cumpriram-se as promessas entre a viagem e o sonho, entre a realidade e a ilusão, numa dança rítmica do esperado, do imaginário. Houve um tempo em que tudo fora triturado, mas como a árvore de mulungu tenho uma capacidade extraordinária de regeneração. Experimentei o amargo da dor de perder o que tanto se esperou, e a doçura do reencontro. A dor também foi minha injeção de ânimo, projetou em mim forças que jamais imaginei ter. Existem bênçãos na dor, eu provei o sabor. A felicidade ainda não é completa, mas já é felicidade e ela grita risonha dentro de mim...
“Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia” (Pablo Neruda)
Veja também:
sei_lá
Os meus ensaios
A arte é o encontro da vida
"reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”
Meus sinceros agradecimentos Amiga =* Tenho por você grande carinho e admiração não só pela pessoa maravilhosa e de princípios, mas também pelo trabalho que desempenha, teus escritos, teu olhar sobre tudo. Receber este selo através de você é uma grande honra. Obrigada! =)
Vou repassá-lo aos
Meu reino
A arte é o encontro da vida
Raios
Vanuza Pantaleão/Obra literária
Lesados em geral
Desnuda
Jardim Cósmico
Lançando palavras
Em teus versos
Pérola marinha dois
Cuidando do nosso canteiro interior
Espiritual-idade
Seja essência e não aparência
Eu e daí
Rosa Choque
Ave do paraíso
Sem você eu nada seria
Vem comigo pro matagal
No livro da vida
O livro do dias dois
Pelos caminhos da vida
Sam
RosaSolidão
Aleatoriamente
Abrigo dos Sábios
Depois do Divã
Ediney Santana: Non, Je ne regrette rien
Escrevivendo
Memórias vivas e reais
Viver é pura magia
Viver em palavras
Rumo à escrita
Contemporâneas
Foto ao acaso
Conhecer e seguir Jesus
Em tons de azul
Palavras ao vento
Duas pontas de lápis
Foi desse jeito que ouvir dizer
Pequenas epifanias
Poliedro
Mulher na polícia
Novas estações
Espaço aberto
Palavras e poemas
Cadinho
Cia do grafite
Marco Coiatelli
Por que você faz poema?
domingo, 24 de outubro de 2010
Ins - Piração

Por que nossa inspiração vem nos lugares mais inusitados? Queria que o cérebro tivesse um sistema que ao meu comando os pensamentos fossem parar na caixa de entrada do e-mail: “Mensagem para você!”. Se desfragmentados eu poderia reuni-los e montá-los como peças de um quebra cabeças e acrescentar quiçá outros instantes de Inspiração. Perco-me em devaneios, INs-PIRAR-AÇÃO, e esmiuçando, deparo-me com pluralidade de sentidos, de um sentir que não é só meu, e ao mesmo tempo o é (IN – fonte, de onde provém; por sua vez podemos extrair também o verbo INSPIRAR – sorver o ar, o que nos é externo ou iluminar o espírito; e ainda há PIRAÇÃO – loucura, maluquice qualquer; e por fim AÇÃO – ato de fazer alguma coisa, movimento que nos impulsiona). Veja só os caminhos que nos levam à inspiração e a loucura sempre presente, Dios mio! E por falar em loucura, uma vez disseram-me que eu não era normal, ao que indaguei: o que é normal para você? Normal = comum ou o precedido de regras que obrigatoriamente tem que ser obedecidas? De acordo com a norma, exemplar? O normal e eu nos estranhamos, quero mesmo é abraçar a loucura. Será que existe alguém normal ou o louco esconde-se dentro de cada um? Confessais... Deixe-me ser doida de pedra. Segundo Martha Medeiros “toda mulher é doida, impossível não ser” (In Doidas e Santas, pag. 211). Estava a falar sobre inspiração e acabei divagando...
Surtos de inspiração ocorrem-me sempre em viagens, principalmente no percurso do trabalho. A paisagem me faz tais provocações, causa-me certa euforia, como se eu a pertencesse e ela também a mim. Eu sou a paisagem e a paisagem também sou eu, uma espécie de comunhão. Vejo-me no verde das plantas e da relva, nos troncos, nas árvores, nos laranjais, nos traços desenhados nas nuvens em forma de sinais, em todo o conjunto que se me apresenta e também me vejo numa certa árvore que serve de cerca que há pouco tempo fiquei sabendo que é conhecida vulgarmente por Sabiá. É que as árvores também cantam. Quem nunca ouviu o canto das árvores misturado aos sons do vento não sabe o que está perdendo... E como encantam também... Encantei-me com a Sabiá. O homem explicou-me que ela possui muitos espinhos, mas nela eu desejaria sangrar. Como seria seu abraço? Fecho os olhos e me imagino entre elas. Suas mãos tocam-me suaves e fortes ao mesmo tempo, os espinhos cravam a minha pele e o sangue escorre virginal. Sinto a seiva que lhe faz verde e experimento a inexperiência de ser árvore. A Sabiá também nos dá sombra e entre os seus galhos pequenos feixes de luz. Reluzio. O verde me alucina. Será que todo verde possui alucinógeno? Sobre alucinógeno, recordei agora de um amigo que certa vez, em tom brincalhão, disse-me que eu estava “viajando”, ao que respondi: “o bom é que não preciso de droga nenhuma”, risos. Não sei explicar, há qualquer coisa que me fascina. O cheiro inebriante brota da raiz da terra misturado às folhas e à mornidão do sol, por seu turno este me abrasa, ao seu toque sinto-me nua. E quando fico nua o desejo é a entrega. Entrego-me à paisagem. Existe uma força que me liga à terra e ao céu, ad infintum. A natureza que emana da paisagem que se descortina também explode em mim. Mas de repente a paisagem fica para trás e chega a hora de pousar. Finco os pés no chão, o serviço me espera...
“... No começo era o verbo
Só depois é que veio o delírio do verbo
O delírio do verbo estava no começo
Lá onde a criança diz:
Eu escuto a cor dos passarinhos
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som
Então se a criança muda a função de um verbo ela delira
E pois
Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer
Nascimento – o verbo tem que pegar delírio” Manoel de Barros – In O livro das ignorãças
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Vir à luz
Que meus desejos não são.
E não me ponhas aureola
Que por usá-la constante
Me daria obrigação”.
Ladjane Bandeira, In
http://www.samdesnuda.blogspot.com/
Nasci e cresci no mesmo endereço, numa casa grande com frondosas árvores. Não deu tempo para minha mãe ser encaminhada ao hospital, tive ânsia de nascer. A parteira, Dona Neneca, fora chamada às pressas, suas mãos talentosas conduziram-me por uma passagem estreita cheia de curvas sinuosas que se alargavam a medida do meu esforço – não sei ao certo se precisei empregar energia ou minha mãe ao ouvir a voz silente do meu coração esforçou-se, decerto que o esforço foi dela, tanto, que sangrou por mim – e apresentaram-me o mundo, ainda que num pequeno espaço de um quarto semi-iluminado. Nasci à luz de velas – temeram a claridade ofuscante e presentearam-me com uma luz tênue e romântica – e de olhos abertos atentos a tudo. Estranharam não haver choro e me aplicaram umas palmadas, aí também estranhei (pensei ser me dado o direito ao livre arbítrio, não quis chorar, então não chorei!). Admiraram-se, disseram parecer com um anjo e exclamaram que poderia não vingar, mas provei-lhes o engano – cresci e criei asas! Daí a origem do nome, Angela, e Marcia, porque segundo a denominação significa mensageira, anúncio de alguma coisa. Um anjo veio anunciar... Espero que seja sempre a vida. Tenho lembranças do meu pré e pós nascimento... A casa estava repleta de pessoas queridas, todos à minha espera. Meus irmãos tentaram adentrar as dependências onde me encontrava, mas foram barrados. Só conseguiram ver os pés da cama e os da parteira através de uma fresta de luminosidade que saía debaixo da porta. Ansiavam, felizes, minha chegada; duas tias também me aguardavam. Teve canja, bebida, algazarra, mas o que mais gostei mesmo foi de ouvir o badalar dos sinos, e a suave melodia da música-ambiente misturada à harmonia de sentimentos delicados. Aprazível leveza do ser... Ah, e os risos, olhares, sorrisos, neles, tantas vezes, mergulhei... E por fim, um pouco exausta dos festejos do dia, deixei-me abraçar e aconchegar na maciez dos braços de minha mãe e Sonhei, ora dormindo, ora acordada...
"Sonhar Acordado
Deixar que o dia me amanheça
E a noite em mim se aqueça
E acordado sonhar
Embriagado de luz
Sentir os raios em minha pele
E essa força que é tão leve
Me leva a outro lugar
E me envolve de paz...
Viver nem que seja
Só um segundo
Que as luzes em mim se acendam
E num lampejo
Sentir
Tanta delícia
Voar..." (Pepeu Gomes)
Angela Reis
bjo terno em cada coração ;
sábado, 9 de outubro de 2010
Desencontros

sobreviva a todos os infortúnios” Do filme – Última Música
“Conviver é tramar, trançar, largar, perder e nunca definitivamente entender o que – se fôssemos um pouco sábios – deveríamos fazer” Lya Luft – In Pensar é transgredir
Eis que chega um casal para ratificar seu intento em dissolver a sociedade conjugal. Feita a pergunta crucial estala-se o silêncio. O vazio os abraça. Eu mergulho naquele vazio, um vazio de almas densas. Os dispo e eles se deixam despir. Ficamos assim, os dois nus à minha frente, o vazio nos circunda, o silêncio paira no ar. Meus olhos perscruta-os de forma acolhedora. Sou coração e ouvidos. Não divisamos sons, mas os ouço. Fala sem falas. O homem ao ouvir a pergunta imediatamente baixa os olhos, sua boca tenta articular algo, sua voz não sai, quem sabe por estar embargada, quiçá quisesse gritar “Não”, e expressar que queria manter-se ligado àquela a quem Deus o havia predestinado, ou então, numa tentativa fracassada de interiorizar-se e ter certeza daquele malfadado passo. Era certo, o amor ainda permanecia ali. Alguma coisa ainda os unia, mas queriam se desvencilhar. Porventura houvesse algum peso. Ansiavam sentirem-se mais leves, não sabendo que todas as escolhas tinham seu preço. Necessitavam buscar soluções simplórias como se tudo fosse tão simples assim... E na verdade, não era nada fácil. Desatar laços nunca é fácil, principalmente quando se ama. Não queriam pensar em nada, e o nada volta à tona. No vazio também havia um mar e ambos afogavam-se nas ondas. Desejavam sentirem-se livres de tudo. Uma tal liberdade mesclada. Pra um, pouco tardia, para outro, inesperada. Foi ela que eclodiu sua voz no silêncio vazio de palavras. Verberou que era da vontade de ambos desvincularem-se, ele assentiu, mas soava falso. Era tudo falso naquele momento. Ela só não queria ouvir dele a palavra que tanto iria lhe machucar. É preferível falar primeiro o que não desejamos escutar, é muito menos doído. A quem tentavam enganar? Perderam-se no caminho... O amor despediu-se e o lenço não era branco, era cinzento.
Desejei mudar aquela situação, resolver todos os mal-entendidos, mas há coisas que nos escapam às mãos. E o vazio também ficou em mim... Mas eu também gosto de sentir o vazio, ele me inspira; há dias no vazio, um vazio preenchido de dias. No vazio o tempo para. Não se conta as horas, lá não existe relógio; No vazio existe um mar no qual necessitamos muitas vezes mergulhar; há também um deserto e no deserto sempre há oásis. No vazio de dias há chuva e sol, há também flores diversificadas, e, portanto, há também perfumes. Há aceitação, há superação. No vazio também encontro Deus e Ele me preenche de tudo. Preenche-me de existência. De Ser. Eu sou, eu nada sei, porque nada entendo. Às vezes busco entender, mas não compreendo, tento aceitar, às vezes aceito. Mas vivo, porque minha ânsia é viver. Tenho fome e os dias me alimentam.
Tantas vezes me perdi e também me encontrei. Eles hão de se encontrar. Sim, hão de se encontrar, bem como irão se perder tantas vezes. Porque a vida é deste modo, é feita de encontros e desencontros, e a gente segue à deriva, num barco à vela, içada pelo vento, ora tempestade, ora calmaria, entre erros e acertos, vivendo e aprendendo a viver...
Eu vejo o outro
E outro
E outro
Enfim dezenas
Trens passando
Vagões cheios de gente
Centenas
O outro
Que há em mim
É você
Você
E você
Assim como
Eu estou com você
Eu estou nele
Em nós
E só quando
Estamos em nós
Estamos em paz
Mesmo que estejamos a sós” (Leminski – In Caprichos & Relaxos)
Angela Reis
Bjo carinhoso no coração de todos =*
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
O retorno e terno regresso
"A surpresa - olhar-se no espelho e dizer deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.A saudade já não cabia em mim, jorrava por dentro, então por que adiar o inadiável momento, retorno e terno regresso e não obedecer ao comando do afeto, da vontade do querer? Eis-me aqui, estou feliz por isso -"estou voltando pra casa outra vez" ;)
Não sei se já estou pronta, queria uma entrega maior, como dias de primavera que as flores se abrem e se dão ao mundo, se deixam acariciar pelo sol, e ao escurecer mais resguardadas recebem o orvalho da noite, mas estando pronta ou não, é assim que me encontro, desabrochando, amanhecendo, se dando para a vida, talvez ainda num caminhar incerto, mas o tempo é feito de incertezas, de vacilações, e é desta forma que sou, inconstante, feita de metades e incompletudes que se complementam e se inteiram entre si. Mulher de fases! E neste momento minha face está iluminada pelo dia, sendo que a outra face está voltada para o escuro da noite que também permanece em mim.
Inicia-se uma nova fase, A lua no dia, mais feliz quem sabe...

"Eu sabia quem era quando acordei de manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então. Não sei como me explicar bem, porque não me entendo para começar... Bem, talvez você não tenha descoberto ainda. Mas quando se tranformar numa crisálida, e se transformará um dia, e daí numa linda borboleta... você se sentirá meio estranho... você talvez seja diferente...
A uma certa altura da vida provavelmente quando tiver passado boa parte dela, você abrirá os olhos e se verá por aquilo que é, especialmente por tudo que a tornou tão diferente, e você dirá a si mesma, eu sou essa pessoa, e aí nessa afirmativa, haverá uma espécie de amor" (Do filme, A menina no país das maravilhas)
Angela Reis
P.s.: Obrigada a todos pelo carinho, pelo afeto, abraços e palavras deixadas aqui qdo de minha ausência. Responderei! Senti saudades =) Bjo no coração =*











