Que meus desejos não são.
E não me ponhas aureola
Que por usá-la constante
Me daria obrigação”.
Ladjane Bandeira, In
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Nasci e cresci no mesmo endereço, numa casa grande com frondosas árvores. Não deu tempo para minha mãe ser encaminhada ao hospital, tive ânsia de nascer. A parteira, Dona Neneca, fora chamada às pressas, suas mãos talentosas conduziram-me por uma passagem estreita cheia de curvas sinuosas que se alargavam a medida do meu esforço – não sei ao certo se precisei empregar energia ou minha mãe ao ouvir a voz silente do meu coração esforçou-se, decerto que o esforço foi dela, tanto, que sangrou por mim – e apresentaram-me o mundo, ainda que num pequeno espaço de um quarto semi-iluminado. Nasci à luz de velas – temeram a claridade ofuscante e presentearam-me com uma luz tênue e romântica – e de olhos abertos atentos a tudo. Estranharam não haver choro e me aplicaram umas palmadas, aí também estranhei (pensei ser me dado o direito ao livre arbítrio, não quis chorar, então não chorei!). Admiraram-se, disseram parecer com um anjo e exclamaram que poderia não vingar, mas provei-lhes o engano – cresci e criei asas! Daí a origem do nome, Angela, e Marcia, porque segundo a denominação significa mensageira, anúncio de alguma coisa. Um anjo veio anunciar... Espero que seja sempre a vida. Tenho lembranças do meu pré e pós nascimento... A casa estava repleta de pessoas queridas, todos à minha espera. Meus irmãos tentaram adentrar as dependências onde me encontrava, mas foram barrados. Só conseguiram ver os pés da cama e os da parteira através de uma fresta de luminosidade que saía debaixo da porta. Ansiavam, felizes, minha chegada; duas tias também me aguardavam. Teve canja, bebida, algazarra, mas o que mais gostei mesmo foi de ouvir o badalar dos sinos, e a suave melodia da música-ambiente misturada à harmonia de sentimentos delicados. Aprazível leveza do ser... Ah, e os risos, olhares, sorrisos, neles, tantas vezes, mergulhei... E por fim, um pouco exausta dos festejos do dia, deixei-me abraçar e aconchegar na maciez dos braços de minha mãe e Sonhei, ora dormindo, ora acordada...
"Sonhar Acordado
Deixar que o dia me amanheça
E a noite em mim se aqueça
E acordado sonhar
Embriagado de luz
Sentir os raios em minha pele
E essa força que é tão leve
Me leva a outro lugar
E me envolve de paz...
Viver nem que seja
Só um segundo
Que as luzes em mim se acendam
E num lampejo
Sentir
Tanta delícia
Voar..." (Pepeu Gomes)
Angela Reis
bjo terno em cada coração ;
