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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

De janeiro a janeiro


Não consigo olhar no fundo dos seus olhos
E enxergar as coisas que me deixam no ar,deixam no ar
As várias fases, estações que me levam com o vento
E o pensamento bem devagar...

Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
'As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar

Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de Janeiro á janeiro
Até o mundo acabar' (Roberta Campos)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Amor e fé




"Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver Amor sou como o bronze que soa ou o sino que retine... mesmo que tivesse toda a fé a ponto de transpor montanhas, se não tiver amor, não serei nada. (Paulo, Carta aos Coríntios, Cap. 13)"





"... Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o que, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo outra vez" (Caio Fernando Abreu, In Morangos Mofados)


Angela Reis


Um beijo terno no coração de todos =*



sábado, 13 de novembro de 2010

Flor azul

The Kiss - Gustav Klimt





“Dirão, eu sou as coisas que caladas no silêncio dos olhos confessamos” (José Saramago)

“... e na primavera, o amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul” (Pablo Neruda)





Estive a espera por longa data, mas você veio. Cumpriram-se as promessas entre a viagem e o sonho, entre a realidade e a ilusão, numa dança rítmica do esperado, do imaginário. Houve um tempo em que tudo fora triturado, mas como a árvore de mulungu tenho uma capacidade extraordinária de regeneração. Experimentei o amargo da dor de perder o que tanto se esperou, e a doçura do reencontro. A dor também foi minha injeção de ânimo, projetou em mim forças que jamais imaginei ter. Existem bênçãos na dor, eu provei o sabor. A felicidade ainda não é completa, mas já é felicidade e ela grita risonha dentro de mim...

“Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia” (Pablo Neruda)


Angela Reis ( Luna Luz)





Veja também:

_________________________________________________________




Recebi este selo da minha querida amiga Pedras Nuas dos blogs

sei_lá
Os meus ensaios
A arte é o encontro da vida

"reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”

Meus sinceros agradecimentos Amiga =* Tenho por você grande carinho e admiração não só pela pessoa maravilhosa e de princípios, mas também pelo trabalho que desempenha, teus escritos, teu olhar sobre tudo. Receber este selo através de você é uma grande honra. Obrigada! =)

Vou repassá-lo aos

Meu reino
A arte é o encontro da vida
Raios
Vanuza Pantaleão/Obra literária
Lesados em geral
Desnuda
Jardim Cósmico
Lançando palavras
Em teus versos
Pérola marinha dois
Cuidando do nosso canteiro interior
Espiritual-idade
Seja essência e não aparência
Eu e daí
Rosa Choque
Ave do paraíso
Sem você eu nada seria
Vem comigo pro matagal
Retalhos e rabiscos
No livro da vida
O livro do dias dois
Pelos caminhos da vida
Sam
Pati Araújo – blog flor de Lís
RosaSolidão
Oxigênio
Aleatoriamente
Abrigo dos Sábios
Depois do Divã
Ediney Santana: Non, Je ne regrette rien
Escrevivendo
Lidacoelho
Memórias vivas e reais
Viver é pura magia
Viver em palavras
Rumo à escrita
Contemporâneas
Foto ao acaso
@ugust@ = simplicidade
Conhecer e seguir Jesus
Em tons de azul
Palavras ao vento
Duas pontas de lápis
Foi desse jeito que ouvir dizer
Pequenas epifanias
Poliedro
Interioridades
Mulher na polícia
Novas estações
Espaço aberto
Palavras e poemas
Cadinho
Cia do grafite
Marco Coiatelli
Por que você faz poema?
Meu carinho e reconhecimento a todos =*

domingo, 24 de outubro de 2010

Ins - Piração




“Sinto-me inteira igual às árvores: solitária, perfeita e pura” Cecília Meireles




Por que nossa inspiração vem nos lugares mais inusitados? Queria que o cérebro tivesse um sistema que ao meu comando os pensamentos fossem parar na caixa de entrada do e-mail: “Mensagem para você!”. Se desfragmentados eu poderia reuni-los e montá-los como peças de um quebra cabeças e acrescentar quiçá outros instantes de Inspiração. Perco-me em devaneios, INs-PIRAR-AÇÃO, e esmiuçando, deparo-me com pluralidade de sentidos, de um sentir que não é só meu, e ao mesmo tempo o é (IN – fonte, de onde provém; por sua vez podemos extrair também o verbo INSPIRAR – sorver o ar, o que nos é externo ou iluminar o espírito; e ainda há PIRAÇÃO – loucura, maluquice qualquer; e por fim AÇÃO – ato de fazer alguma coisa, movimento que nos impulsiona). Veja só os caminhos que nos levam à inspiração e a loucura sempre presente, Dios mio! E por falar em loucura, uma vez disseram-me que eu não era normal, ao que indaguei: o que é normal para você? Normal = comum ou o precedido de regras que obrigatoriamente tem que ser obedecidas? De acordo com a norma, exemplar? O normal e eu nos estranhamos, quero mesmo é abraçar a loucura. Será que existe alguém normal ou o louco esconde-se dentro de cada um? Confessais... Deixe-me ser doida de pedra. Segundo Martha Medeiros “toda mulher é doida, impossível não ser” (In Doidas e Santas, pag. 211). Estava a falar sobre inspiração e acabei divagando...

Surtos de inspiração ocorrem-me sempre em viagens, principalmente no percurso do trabalho. A paisagem me faz tais provocações, causa-me certa euforia, como se eu a pertencesse e ela também a mim. Eu sou a paisagem e a paisagem também sou eu, uma espécie de comunhão. Vejo-me no verde das plantas e da relva, nos troncos, nas árvores, nos laranjais, nos traços desenhados nas nuvens em forma de sinais, em todo o conjunto que se me apresenta e também me vejo numa certa árvore que serve de cerca que há pouco tempo fiquei sabendo que é conhecida vulgarmente por Sabiá. É que as árvores também cantam. Quem nunca ouviu o canto das árvores misturado aos sons do vento não sabe o que está perdendo... E como encantam também... Encantei-me com a Sabiá. O homem explicou-me que ela possui muitos espinhos, mas nela eu desejaria sangrar. Como seria seu abraço? Fecho os olhos e me imagino entre elas. Suas mãos tocam-me suaves e fortes ao mesmo tempo, os espinhos cravam a minha pele e o sangue escorre virginal. Sinto a seiva que lhe faz verde e experimento a inexperiência de ser árvore. A Sabiá também nos dá sombra e entre os seus galhos pequenos feixes de luz. Reluzio. O verde me alucina. Será que todo verde possui alucinógeno? Sobre alucinógeno, recordei agora de um amigo que certa vez, em tom brincalhão, disse-me que eu estava “viajando”, ao que respondi: “o bom é que não preciso de droga nenhuma”, risos. Não sei explicar, há qualquer coisa que me fascina. O cheiro inebriante brota da raiz da terra misturado às folhas e à mornidão do sol, por seu turno este me abrasa, ao seu toque sinto-me nua. E quando fico nua o desejo é a entrega. Entrego-me à paisagem. Existe uma força que me liga à terra e ao céu, ad infintum. A natureza que emana da paisagem que se descortina também explode em mim. Mas de repente a paisagem fica para trás e chega a hora de pousar. Finco os pés no chão, o serviço me espera...



“... No começo era o verbo
Só depois é que veio o delírio do verbo
O delírio do verbo estava no começo
Lá onde a criança diz:
Eu escuto a cor dos passarinhos
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som
Então se a criança muda a função de um verbo ela delira
E pois
Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer
Nascimento – o verbo tem que pegar delírio” Manoel de Barros – In O livro das ignorãças



Manoel, inda não conseguir fazer o verbo delirar, mas continuamente deliro por ele.

Angela Reis
bjos no coração ;)
P.s A demora em responder se deve ao exercício de outras atividades. Visitarei todos =*

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vir à luz





“Mas nunca me faças lúcida
Que meus desejos não são.
E não me ponhas aureola
Que por usá-la constante
Me daria obrigação”.
Ladjane Bandeira, In
http://www.samdesnuda.blogspot.com/






Nasci e cresci no mesmo endereço, numa casa grande com frondosas árvores. Não deu tempo para minha mãe ser encaminhada ao hospital, tive ânsia de nascer. A parteira, Dona Neneca, fora chamada às pressas, suas mãos talentosas conduziram-me por uma passagem estreita cheia de curvas sinuosas que se alargavam a medida do meu esforço – não sei ao certo se precisei empregar energia ou minha mãe ao ouvir a voz silente do meu coração esforçou-se, decerto que o esforço foi dela, tanto, que sangrou por mim – e apresentaram-me o mundo, ainda que num pequeno espaço de um quarto semi-iluminado. Nasci à luz de velas – temeram a claridade ofuscante e presentearam-me com uma luz tênue e romântica – e de olhos abertos atentos a tudo. Estranharam não haver choro e me aplicaram umas palmadas, aí também estranhei (pensei ser me dado o direito ao livre arbítrio, não quis chorar, então não chorei!). Admiraram-se, disseram parecer com um anjo e exclamaram que poderia não vingar, mas provei-lhes o engano – cresci e criei asas! Daí a origem do nome, Angela, e Marcia, porque segundo a denominação significa mensageira, anúncio de alguma coisa. Um anjo veio anunciar... Espero que seja sempre a vida. Tenho lembranças do meu pré e pós nascimento... A casa estava repleta de pessoas queridas, todos à minha espera. Meus irmãos tentaram adentrar as dependências onde me encontrava, mas foram barrados. Só conseguiram ver os pés da cama e os da parteira através de uma fresta de luminosidade que saía debaixo da porta. Ansiavam, felizes, minha chegada; duas tias também me aguardavam. Teve canja, bebida, algazarra, mas o que mais gostei mesmo foi de ouvir o badalar dos sinos, e a suave melodia da música-ambiente misturada à harmonia de sentimentos delicados. Aprazível leveza do ser... Ah, e os risos, olhares, sorrisos, neles, tantas vezes, mergulhei... E por fim, um pouco exausta dos festejos do dia, deixei-me abraçar e aconchegar na maciez dos braços de minha mãe e Sonhei, ora dormindo, ora acordada...



"Sonhar Acordado


Deixar que o dia me amanheça
E a noite em mim se aqueça
E acordado sonhar
Embriagado de luz

Sentir os raios em minha pele
E essa força que é tão leve
Me leva a outro lugar
E me envolve de paz...

Viver nem que seja
Só um segundo
Que as luzes em mim se acendam
E num lampejo
Sentir
Tanta delícia
Voar..." (Pepeu Gomes)

Angela Reis


bjo terno em cada coração ;



sábado, 9 de outubro de 2010

Desencontros




“O amor é frágil e a gente vai rezando para que essa coisinha frágil
sobreviva a todos os infortúnios” Do filme – Última Música

“Conviver é tramar, trançar, largar, perder e nunca definitivamente entender o que – se fôssemos um pouco sábios – deveríamos fazer” Lya Luft – In Pensar é transgredir



Eis que chega um casal para ratificar seu intento em dissolver a sociedade conjugal. Feita a pergunta crucial estala-se o silêncio. O vazio os abraça. Eu mergulho naquele vazio, um vazio de almas densas. Os dispo e eles se deixam despir. Ficamos assim, os dois nus à minha frente, o vazio nos circunda, o silêncio paira no ar. Meus olhos perscruta-os de forma acolhedora. Sou coração e ouvidos. Não divisamos sons, mas os ouço. Fala sem falas. O homem ao ouvir a pergunta imediatamente baixa os olhos, sua boca tenta articular algo, sua voz não sai, quem sabe por estar embargada, quiçá quisesse gritar “Não”, e expressar que queria manter-se ligado àquela a quem Deus o havia predestinado, ou então, numa tentativa fracassada de interiorizar-se e ter certeza daquele malfadado passo. Era certo, o amor ainda permanecia ali. Alguma coisa ainda os unia, mas queriam se desvencilhar. Porventura houvesse algum peso. Ansiavam sentirem-se mais leves, não sabendo que todas as escolhas tinham seu preço. Necessitavam buscar soluções simplórias como se tudo fosse tão simples assim... E na verdade, não era nada fácil. Desatar laços nunca é fácil, principalmente quando se ama. Não queriam pensar em nada, e o nada volta à tona. No vazio também havia um mar e ambos afogavam-se nas ondas. Desejavam sentirem-se livres de tudo. Uma tal liberdade mesclada. Pra um, pouco tardia, para outro, inesperada. Foi ela que eclodiu sua voz no silêncio vazio de palavras. Verberou que era da vontade de ambos desvincularem-se, ele assentiu, mas soava falso. Era tudo falso naquele momento. Ela só não queria ouvir dele a palavra que tanto iria lhe machucar. É preferível falar primeiro o que não desejamos escutar, é muito menos doído. A quem tentavam enganar? Perderam-se no caminho... O amor despediu-se e o lenço não era branco, era cinzento.


Desejei mudar aquela situação, resolver todos os mal-entendidos, mas há coisas que nos escapam às mãos. E o vazio também ficou em mim... Mas eu também gosto de sentir o vazio, ele me inspira; há dias no vazio, um vazio preenchido de dias. No vazio o tempo para. Não se conta as horas, lá não existe relógio; No vazio existe um mar no qual necessitamos muitas vezes mergulhar; há também um deserto e no deserto sempre há oásis. No vazio de dias há chuva e sol, há também flores diversificadas, e, portanto, há também perfumes. Há aceitação, há superação. No vazio também encontro Deus e Ele me preenche de tudo. Preenche-me de existência. De Ser. Eu sou, eu nada sei, porque nada entendo. Às vezes busco entender, mas não compreendo, tento aceitar, às vezes aceito. Mas vivo, porque minha ânsia é viver. Tenho fome e os dias me alimentam.


Tantas vezes me perdi e também me encontrei. Eles hão de se encontrar. Sim, hão de se encontrar, bem como irão se perder tantas vezes. Porque a vida é deste modo, é feita de encontros e desencontros, e a gente segue à deriva, num barco à vela, içada pelo vento, ora tempestade, ora calmaria, entre erros e acertos, vivendo e aprendendo a viver...



“Em mim
Eu vejo o outro
E outro
E outro
Enfim dezenas
Trens passando
Vagões cheios de gente
Centenas

O outro
Que há em mim
É você
Você
E você

Assim como
Eu estou com você
Eu estou nele
Em nós
E só quando
Estamos em nós
Estamos em paz
Mesmo que estejamos a sós” (Leminski – In Caprichos & Relaxos)


Angela Reis

Bjo carinhoso no coração de todos =*



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O retorno e terno regresso

"A surpresa - olhar-se no espelho e dizer deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.

Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundos a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo" Clarice Lispector






A saudade já não cabia em mim, jorrava por dentro, então por que adiar o inadiável momento, retorno e terno regresso e não obedecer ao comando do afeto, da vontade do querer? Eis-me aqui, estou feliz por isso -"estou voltando pra casa outra vez" ;)


Não sei se já estou pronta, queria uma entrega maior, como dias de primavera que as flores se abrem e se dão ao mundo, se deixam acariciar pelo sol, e ao escurecer mais resguardadas recebem o orvalho da noite, mas estando pronta ou não, é assim que me encontro, desabrochando, amanhecendo, se dando para a vida, talvez ainda num caminhar incerto, mas o tempo é feito de incertezas, de vacilações, e é desta forma que sou, inconstante, feita de metades e incompletudes que se complementam e se inteiram entre si. Mulher de fases! E neste momento minha face está iluminada pelo dia, sendo que a outra face está voltada para o escuro da noite que também permanece em mim.


Inicia-se uma nova fase, A lua no dia, mais feliz quem sabe...




"Eu sabia quem era quando acordei de manhã, mas acho que mudei muitas vezes desde então. Não sei como me explicar bem, porque não me entendo para começar... Bem, talvez você não tenha descoberto ainda. Mas quando se tranformar numa crisálida, e se transformará um dia, e daí numa linda borboleta... você se sentirá meio estranho... você talvez seja diferente...

A uma certa altura da vida provavelmente quando tiver passado boa parte dela, você abrirá os olhos e se verá por aquilo que é, especialmente por tudo que a tornou tão diferente, e você dirá a si mesma, eu sou essa pessoa, e aí nessa afirmativa, haverá uma espécie de amor" (Do filme, A menina no país das maravilhas)

Angela Reis

P.s.: Obrigada a todos pelo carinho, pelo afeto, abraços e palavras deixadas aqui qdo de minha ausência. Responderei! Senti saudades =) Bjo no coração =*



domingo, 9 de maio de 2010

Viagem além Mar

fonte google



"Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos tornei maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma" (Kalil Gibran)


"A saudade é flor que só floresce na ausência. É nela que se dizem as orações suplicando dos deuses a graça da repetição da beleza. E é só para isso que existem os deuses: para garantir o retorno do belo" (Rubem Alves)



E na mala levou saudade... todas as lembranças das horas idas, do que ficou no retrato... aquele sorriso, a ternura dos abraços, os choros de alegria e tristeza, os momentos compartilhados...

"Depois de várias tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro "(Caio Fernando Abreu)

"Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar
a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo
o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos
para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria pra você, se pudesse,
o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo,
O de buscar no interior de si mesmo a resposta
e a força para encontrar a saída"
(Mohandas Karamchand Gandhi)


fonte google



Ali, bem ali, além do horizonte Deus reservou um presente para mim... Deu-me asas (Angela = Angel = anjo) - que me permitem viajar, voar... Deu-me um MARcia (Marcio(a) - que significa mensageiro(a), ou de Marte - talvez eu seja de outro mundo, quem sabe) - Mar de possibilidades, de sentimentos firmes, verdadeiros e profundos... Há um MAR em mim, um mar de AMOR, que vem da doçura do verbo AMAR (Angela + MARcia)... Guiada pela mesma estrela (do oriente) que conduziu os REIS magos e protegida por todos os SANTOS (Angela Marcia Reis dos Santos). Deu-me a luz da lua (Luna Luz)... Sim, bem ali, além do horizonte Deus preparou um presente para mim... foi assim que, após retornar de uma reunião de trabalho, no transcorrer da viagem, quando já não avistava mais possibilidades, eis que vejo desenhada numa nuvem uma mão estendida, como a me mostrar e a me oferecer um mundo inteiro de beleza, amor, sonhos e inúmeras realizações (caminhos)... tenho a marca de uma estrela sob o meu dedo anular, não sei o que significa, quem sabe no céu haja uma estrela reservada para mim... Mergulho e voo nos meus sonhos... numa viagem além mar...

Meus queridos amigos, vou fazer uma grande viagem, mas VOLTO. Levarei cada um que passou por aqui e deixou tanto para mim em meu coração.

Meu carinho, afeto, amizade, ternura! =* Jesus os abençoe!! =*


Angela Reis (Luna Luz)



Estou bem, não se preocupem =) É só uma viagem... VOLTO. Um beijo na ponta do nariz =*****
Ps. Os textos postados aqui são alguns trechos de capítulos de um livro que estou a escrever, que revela O surgimento de um grande Amor, do Encontro, dos desencontros, dos vários caminhos, das escolhas, a busca pelo outro, o encontro consigo mesma... é uma história de amor, alegria, sofrimento que conduz ao aprendizado, crescimento espiritual e do encontro com Deus... Compreensão do verdadeiro sentido da vida, de onde provém toda fonte de felicidade... Amor, fogo sagrado que nos transforma... Não importa que o seu Amor seja ou não sozinho, o que importa é que é Amor... quanto mais se ama há o alargamento do coração, da capacidade de Amar a todos independente de qualquer coisa... do reconhecimento de que o AMOR é a verdadeira essência divina.
Amai-vos uns aos outros =*
Beijosssssssssssssss

sábado, 10 de abril de 2010

Creio que foi o sorriso...




“Escrevia silêncios, noites
Anotava o inexpressável
Fixava vertigens” (Rimbaud)


Nada como um banho quente em tempos de chuva. Na banheira ervas aromáticas para relaxar, música ambiente ao som de Richard Clayderman. Hummm, precisava disso, a correria do dia a dia estava deixando-me um tanto que estressada. Lá fora chovia, mas chovia também dentro de mim. Lembranças da infância vieram-me à mente, das muitas vezes que minhas (meus) irmãs(os), primas (os), amigas(os) e eu brincávamos debaixo de chuva, correndo entre as poças para desespero das mães. Dos barquinhos de papel que pegavam corrida... Passada a nostalgia, hora de debruçar-me sobre os livros. Levantei da banheira e passei a enxugar-me, respingos de água salientes percorriam o meu corpo. Da janela do meu quarto apreciei por alguns instantes o tempo, o desenho das nuvens, os pingos de água que emanavam de lá, as folhas que caiam das árvores nesse inicio de outono. O vento que as levava para passear... Hora de concentração, de silêncio exterior e também interior. Fiz uma breve leitura de reconhecimento dos livros de direito processual do trabalho dos doutrinadores Sergio Pinto Martins e Carlos Frederico Zimmermann. Procurei ouvir o autor do livro que detinha em mãos, a linha de raciocínio... mergulhei na Organização Judiciária do Trabalho fazendo um apanhado dos dissídios ou conflitos de trabalho, a competência e a solução de tais conflitos. Retornando aos princípios esbarrei-me no princípio da verdade real o qual busca os caminhos da verdade, e a despeito desse tema mais ou menos interligado, pus-me a divagar...

Por que amamos quem amamos?! Questões filosóficas, sentido das coisas...

É sempre assim, a presença do sol é muito forte em minha vida, é um pedaço de mim que se foi, que marcou, e, qualquer coisa me faz relembrá-lo... É saudade que bate no peito, presença da ausência. Parafraseando Rubem Alves “Por vezes andar para frente é ficar cada vez mais longe. Os adultos andam para frente. Os poetas parecem andar para trás”. Sim, a saudade nos move, mas também nos impulsiona. Minha alma é movida pela saudade, do que vivi, do que não vivi, do que ardentemente desejo viver. E antes de viver, eu sonho. Eu sou feita de sonhos, sou feita de amor. Minha alma suspira, é o sol, à minha frente o seu retrato, que eu mesma pintei. Nele o que chama mais atenção é o sorriso, sorriso de alma de menino. E ai deparo-me com aquela mesma pergunta.

“Creio que foi o sorriso
O sorriso foi quem abriu a porta
Era um sorriso com muita luz
Lá dentro, apetecia entrar nele
Tirar a roupa, ficar nu
Dentro daquele sorriso” (Eugenio de Andrade)

Angela Reis (Luna)

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