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sábado, 22 de outubro de 2011



"Sempre tive a mania de sorrir quando viajava em pensamentos. Minha mãe certa vez, após várias observações sobre episódios como esse, perguntou-me se eu conversava com alguém quando sorria assim. Ela pensava que eu falava com anjos, coisas de mãe. Bom, mais isso é outra história... E como viajava! acho que esse não é o tempo certo, a verdade é que viajo. Pego as asas da imaginação e vôo. Também adoro mergulhar, de cabeça mesmo. Então vôo, mergulho e pouso. E o que tudo isso provoca em mim, me fez recordar uma citação de Martha Medeiros “Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia”. E a isso eu chamo de mergulho profundo. E voar é sair por aí, viver, procurando a cena feliz ou tentando construir a cena feliz, e quando você se depara com alguém que vislumbrou há muito tempo, antes mesmo de conhecer, naquela sua cena feliz, aí que tudo acontece, teu imaginário materializado em corpo e alma"

(Angella Reis)

domingo, 24 de outubro de 2010

Ins - Piração




“Sinto-me inteira igual às árvores: solitária, perfeita e pura” Cecília Meireles




Por que nossa inspiração vem nos lugares mais inusitados? Queria que o cérebro tivesse um sistema que ao meu comando os pensamentos fossem parar na caixa de entrada do e-mail: “Mensagem para você!”. Se desfragmentados eu poderia reuni-los e montá-los como peças de um quebra cabeças e acrescentar quiçá outros instantes de Inspiração. Perco-me em devaneios, INs-PIRAR-AÇÃO, e esmiuçando, deparo-me com pluralidade de sentidos, de um sentir que não é só meu, e ao mesmo tempo o é (IN – fonte, de onde provém; por sua vez podemos extrair também o verbo INSPIRAR – sorver o ar, o que nos é externo ou iluminar o espírito; e ainda há PIRAÇÃO – loucura, maluquice qualquer; e por fim AÇÃO – ato de fazer alguma coisa, movimento que nos impulsiona). Veja só os caminhos que nos levam à inspiração e a loucura sempre presente, Dios mio! E por falar em loucura, uma vez disseram-me que eu não era normal, ao que indaguei: o que é normal para você? Normal = comum ou o precedido de regras que obrigatoriamente tem que ser obedecidas? De acordo com a norma, exemplar? O normal e eu nos estranhamos, quero mesmo é abraçar a loucura. Será que existe alguém normal ou o louco esconde-se dentro de cada um? Confessais... Deixe-me ser doida de pedra. Segundo Martha Medeiros “toda mulher é doida, impossível não ser” (In Doidas e Santas, pag. 211). Estava a falar sobre inspiração e acabei divagando...

Surtos de inspiração ocorrem-me sempre em viagens, principalmente no percurso do trabalho. A paisagem me faz tais provocações, causa-me certa euforia, como se eu a pertencesse e ela também a mim. Eu sou a paisagem e a paisagem também sou eu, uma espécie de comunhão. Vejo-me no verde das plantas e da relva, nos troncos, nas árvores, nos laranjais, nos traços desenhados nas nuvens em forma de sinais, em todo o conjunto que se me apresenta e também me vejo numa certa árvore que serve de cerca que há pouco tempo fiquei sabendo que é conhecida vulgarmente por Sabiá. É que as árvores também cantam. Quem nunca ouviu o canto das árvores misturado aos sons do vento não sabe o que está perdendo... E como encantam também... Encantei-me com a Sabiá. O homem explicou-me que ela possui muitos espinhos, mas nela eu desejaria sangrar. Como seria seu abraço? Fecho os olhos e me imagino entre elas. Suas mãos tocam-me suaves e fortes ao mesmo tempo, os espinhos cravam a minha pele e o sangue escorre virginal. Sinto a seiva que lhe faz verde e experimento a inexperiência de ser árvore. A Sabiá também nos dá sombra e entre os seus galhos pequenos feixes de luz. Reluzio. O verde me alucina. Será que todo verde possui alucinógeno? Sobre alucinógeno, recordei agora de um amigo que certa vez, em tom brincalhão, disse-me que eu estava “viajando”, ao que respondi: “o bom é que não preciso de droga nenhuma”, risos. Não sei explicar, há qualquer coisa que me fascina. O cheiro inebriante brota da raiz da terra misturado às folhas e à mornidão do sol, por seu turno este me abrasa, ao seu toque sinto-me nua. E quando fico nua o desejo é a entrega. Entrego-me à paisagem. Existe uma força que me liga à terra e ao céu, ad infintum. A natureza que emana da paisagem que se descortina também explode em mim. Mas de repente a paisagem fica para trás e chega a hora de pousar. Finco os pés no chão, o serviço me espera...



“... No começo era o verbo
Só depois é que veio o delírio do verbo
O delírio do verbo estava no começo
Lá onde a criança diz:
Eu escuto a cor dos passarinhos
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som
Então se a criança muda a função de um verbo ela delira
E pois
Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer
Nascimento – o verbo tem que pegar delírio” Manoel de Barros – In O livro das ignorãças



Manoel, inda não conseguir fazer o verbo delirar, mas continuamente deliro por ele.

Angela Reis
bjos no coração ;)
P.s A demora em responder se deve ao exercício de outras atividades. Visitarei todos =*

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Eis que surge o sol na primavera de minha existência

fonte: google



“Rifa-se um coração... Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar". (Clarice Linspector)





Manhã de primavera, cheiro de pétalas no ar, o sol estava brilhando lá fora, alguma coisa me dizia que aquele dia prometia, seria o início de algo tão belo e transcendente. Pela fresta da janela do meu quarto raios de sol adentravam beijando-me o corpo inteiro. Nos lábios um sorriso sem que, nem pra que. Sempre tive a mania de sorrir quando viajava em meus pensamentos. Minha mãe certa vez, após vários observações sobre episódios como esse perguntou-me se eu conversava com alguém quando sorria assim. Ela pensava que eu falava com anjos, coisas de mãe... bom, mais isso é uma outra história... E como viajava!! acho que esse não é o tempo certo, a verdade é que viajo mesmo. Pego as asas da imaginação e vôo. Também adoro mergulhar, de cabeça mesmo. Então vôo, mergulho e pouso. E o que tudo isso provoca em mim, me fez recordar uma citação de Martha Medeiros “... Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia…”E a isso eu chamo de mergulho profundo... E voar é sair por aí, viver, procurando a cena feliz ou tentando construir a cena feliz, e quando você se depara com alguém que vislumbrou há muito tempo, antes mesmo de conhecer, naquela sua cena feliz, aí que tudo acontece, teu imaginário materializado em corpo e alma...



Descrição do sol

Ele foi assim para mim... como poderia descrevê-lo, hum... deixe-me ver, sorriso mais belo que alguém pode ter, de humor e inteligência brilhantes, voz inebriante, uma alma de criança mais nada infantil, romântico, apaixonado pela vida, de excelente bom gosto, conhecedor exímio de literatura, um verdadeiro amante da poesia, e uma coisa que reflete muito sobre ele é a presença forte de Deus em sua vida. Então como não se apaixonar?


Voltando a manhã de primavera, aquele foi o dia D:
O marco da história, o início de tudo. Até então não me dava conta do quanto tornar-se-ia importante...


Assim... Na primavera, uma das estações do ano, eis que surge o sol com o sorriso mais lindo e mais doce que há, com os seus raios de luz a aquecer-me por inteiro, eu lua, na primavera de minha existência...



fonte google



Anjo



Eu vi um anjo
Certamente que não tinha asas
Mas eu vi um anjo!!
Ele me sorriu
E eu não conseguia desviar o olhar da tua boca
Sim
Eu vi um anjo
Não, não tinha asas
Mas tinha um abraço tão quente
Que aquecia minha alma
O coração
E o corpo inteiro
É, eu vi um anjo
E esse anjo me sorriu
E me abraçou
Tinha uns olhos tão doces que me cativou
E cativa estou

Angela Reis (Luna)

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