terça-feira, 25 de outubro de 2011

Amar é...




Folheando algumas páginas da memória encontrei estas delicadas figurinhas “Amar é” que marcaram meus exatos sete anos de idade. A cada cartãozinho que colecionava descobria que amar é era tanta coisa, então refletia: ’como poderia caber tanto dentro do peito? Amar é, amar é...’ E por si mesma descobri que amar é um contentamento natural que fazia acelerar e aquecer o coração. Mas também era um transbordamento de alegrias como quando se coloca água demasiado num copo e ele começa a derramar pelas bordas. No entanto, as águas põem-se a flutuar como se ganhassem um par de asas. Preenchimento que inspira levezas. E aí compreendi que amar é um tanto contraditório, cheio e leve ao mesmo tempo.

Minha primeira paixão foi pelos livros, todos os dias ansiava por vê-los, e assim, diariamente ia ter com eles na biblioteca municipal. Adorava sentir o cheiro e ficava maravilhada ao observá-los naquelas estantes negras. Caminhava vagarosamente e tocava-os um a um antes de iniciar o ritual da leitura. Eu os namorava. A gente ia se conhecendo aos pouquinhos sem muita pressa. Meu coração saltitava ao desvendar seus códigos secretos. A cada descoberta um mundo novo. De leitora virava personagem da história. Vez ou outra era a Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo, Iracema de José de Alencar, a Narizinho ou a Emília de Monteiro Lobato ou outro personagem fictício criado pelo meu imaginário que entrava no livro e mudava o rumo da história. E nessa época experimentei uma felicidade indescritível quando pude levar pela primeira vez um livro para casa. Dormimos abraçados. E aí entendi que Amar é também um chamego, querer estar sempre de mãos dadas com o objeto amado.

Mas primeiro amor, amor mesmo foi por meu vizinho de alfabeto. Eu era o A de amor e abraços, ele o B de belo e beijos. Gostava dele, sentia, o coração avisava descompassado. Àquele gostar ingênuo de menina de sete anos. Trocávamos figurinhas: Amar é... Ele furtivamente sempre as colocava no meu caderno. Eu fingia nada perceber. Não precisávamos dizer muito. Dizíamos tudo nos pequenos gestos e olhares mudos. Namorávamos apenas olhando-se, as pupilas tragavam-se (Não havia beijos, destes, eu fugia desesperadamente com a face afogueada e olhos arregalados ao correr de um menino ‘cabeludo’ que sempre ao ver-me ameaçava-me roubá-los. Este ficou conhecido como o ‘tarado da pracinha’).

Mais tarde dei-me por si que o B de belo também era B de besta ao vê-lo certo dia na hora do recreio juntamente com outros garotos igualmente bestas a impedir a passagem das meninas no corredor – posicionando uma das pernas estiradas ao chão – salvo se estas lhe ofertassem beijos. Então o A de azeda de raiva deu-lhe com o pequenino pé um beijo bicudo bem no meio da ‘canela’. E por fim deu-se conta que Amar também é um contentamento descontente e que de tão cheio às vezes pesava.


Angella Reis


beijinhos *--*


sábado, 22 de outubro de 2011

Páginas da memória



"De tudo um pouco fica guardado em nós, seja a lembrança inconsciente do primeiro choro, do primeiro olhar para o mundo, os sorrisos e abraços, os raios de sol a aquecer-nos o corpo, o brilho costumeiro que tanto nos seduz, o colorido da paisagem, o cheiro das flores que nos embriaga, de tantas, tantas coisas belas que palavras jamais conseguiriam descrever. O manto escuro da noite que nos envolve de mistérios enluarados, o prateado de estrelas piscantes como luzes do nosso pensamento que acendem, mas que também voam como o vento, fugidios que são como os dias, e, assim, serelepes nos escapam, advindo daí a premente vontade de resgatá-los em palavras, às vezes inteiras, às vezes metade, metamorfoseadas, explícitas ou implícitas na alma, tão cheias de vozes e silêncios que deveras não se consegue ler de tão profundos como o ser, o tudo e o nada.

Fica um pouco (ou muito) gravados em n
ós, de olhares e risos, sussurros, conversas, troca de informações, descobertas, um novo olhar para o mundo. Ao tempo que a gente se veste também vai se despindo, se moldando, criando, recriando e esculpindo a nossa matéria-bruta em arte. A arte de ser o que somos.

Do que me veste, me dispo, e (me) dôo, tudo o que me torna o que sou".


(Angella Reis)




“Posso ignorar meu coração? Eu gosto de você, eu te amo, isso não muda, faça sol, chuva, vento forte, tempestade. É como uma árvore criou raízes fundas dentro de mim. Os galhos atravessam, crescem para fora, me abrigam e eu me deito à sua sombra”

(Angella Reis)





“Sinto a seiva que lhe faz verde e experimento a inexperiência de ser
árvore”

(Angella Reis)





“Estava mais do que na hora de abrir as janelas e deixar o ar entrar, o sopro de vida!”


(Angella Reis)



"Sempre tive a mania de sorrir quando viajava em pensamentos. Minha mãe certa vez, após várias observações sobre episódios como esse, perguntou-me se eu conversava com alguém quando sorria assim. Ela pensava que eu falava com anjos, coisas de mãe. Bom, mais isso é outra história... E como viajava! acho que esse não é o tempo certo, a verdade é que viajo. Pego as asas da imaginação e vôo. Também adoro mergulhar, de cabeça mesmo. Então vôo, mergulho e pouso. E o que tudo isso provoca em mim, me fez recordar uma citação de Martha Medeiros “Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia”. E a isso eu chamo de mergulho profundo. E voar é sair por aí, viver, procurando a cena feliz ou tentando construir a cena feliz, e quando você se depara com alguém que vislumbrou há muito tempo, antes mesmo de conhecer, naquela sua cena feliz, aí que tudo acontece, teu imaginário materializado em corpo e alma"

(Angella Reis)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Na beira do poço das sombras: moradores de rua



Recentemente assisti ao filme O Solista dirigido por Joe Wright e estrelado pelos atores Jamie Foxx (Nathaniel Ayers) e Robert Downey Jr (Steve Lopez) que narra à história de um morador de ruas/ex-prodígio da música clássica que toca violino nas ruas de Los Angeles. É um filme emocionante que nos faz pensar em todas as pessoas que vivem às margens da sociedade e que são tratados como lixo humano, seres das cidades das sombras, do submundo. Será que ao se deparar com alguém nesta situação já se questionaram quais foram as causas que o levou a esse estado de degradação ou simplesmente preferiu ignorá-lo: finjo que não estou vendo nada, afinal de contas porque tenho que dar importância a isso? Não é problema meu. Não sou eu que estou morando nas ruas e passando por toda sorte de provações; só não quero ter que cruzar com essas pessoas. Ao lado delas sinto-me em perigo constante porque convenhamos é complicado dar crédito a pessoa de aparência nada agradável e pouco confiável. Por isso pego atalho, corto caminho ou ainda pior: julgo, massacro e condeno porque é uma corja de vagabundos, desocupados, bêbados, drogados etc. que se estão nessa situação foi porque assim fizeram por merecer. Não é assim que o preconceito e a falta de humanidade proferem por aí?

Curioso como somos capazes de rotular. Eu vejo uma pedra, e aquilo para mim então é uma pedra, impossível ser qualquer outra coisa. Vemos somente aquilo que nossos olhos são capazes de enxergar, a fina camada da superfície. Impossível ver em seres que se escondem nas sombras a presença de luz. Caíram na escuridão e lá devem permanecer abandonados e banidos como se fossem cães sarnentos e ratos de esgoto, não há salvação. Eles proliferam e contaminam o ambiente. Tiram à beleza e a tranqüilidade das ruas, o sol se esconde, tudo é cinza. Então viramos a cara, fechamos os olhos porque a escória está ali. E se vierem bater à nossa porta ou não os atenderemos ou os olharemos de soslaio com a desconfiança premente de que temos algo a perder. Não é assim? Parafraseando Fábio de Melo: “Olha devagar para cada coisa. Aceita o desafio de ver o que a multidão não viu. Em cascalhos disformes e estranhos, diamantes sobrevivem solitários”. Não veja a margem, olhe dentro, mire fundo, é preciso ver, mergulhar, sentir. Olhe como quem olha uma criança que está aprendendo a andar; olhe como quem olha uma pessoa que se vê perdida na imensidão.

Nas ruas há labirintos infindáveis. Lá não vive sobrevive. No entanto, ainda que carreguem no peito inúmeras fragilidades trazem dentro de si uma imensa fortaleza. Porque é preciso coragem e ser muito forte para enfrentar o que os espera, pisar num poço sem fundo e não cair em desespero e mesmo que as agruras intensifiquem e afete a sanidade mental conseguem forças para continuar a seguir em frente. E essa coragem que vem não sei de onde, o que na verdade bem sabemos donde vem, não é a ausência do medo, é o medo inflado de força e vestido de coragem. Deus presente!

Muito dos que foram parar nas ruas não foi porque assim escolheram e não é preciso expor de forma precisa os diversos casos; vemos constantemente nos noticiários e deparamos com o quadro dia a dia. É que a vida dá rasteira mesmo quando não se envereda por caminhos tortuosos. Dá para enxergar agora? Olha calmamente...

O universo nos ensina que mesmo na escuridão há a presença de luz. E se cada pessoa acender uma vela por menor que seja aquecerá com o fogo do amor corações frios - desprovidos de afeto, de um amigo que os ajude a acalmar suas dores, a se erguer, a ser. E é essa a chama que alimentará de esperança e os manterá vivos e inteiros novamente e/ou pela primeira vez.

Foi isso que aprendi desde cedo,

que não importa que aparência uma pessoa tenha

ou quem ela seja

isso não o tornará menos ou mais importante

Aprendi que se deve amar alguém não pelo que tem,

por status ou pelo que representa

mas sim por quem é no seu interior

Aprendi que se deve estender a mão àquele que necessita

Porque um dia pode ser você

Que venha a precisar

Não importa qual ou em que ângulo

De necessidade

Aprendi também que não se deve deixar no escuro

Quem tem sede e urgência de luz

Que quando se dá as costas

Também se roubam sonhos

E joga o outro no mar da desesperança

Aprendi que loucos ao receber um prato de comida

Dividem e conversam com as flores

Porque elas lhe ofertam perfumes

Sem nada receber

Aprendi que um louco que vivenciou as ruas

Se recebe carinho e cuidados

Chama nosso pai de pai e nossa mãe de mãe

E os filhos do casal

protege como se fossem irmãos

Aprendi que se deve confiar

Mesmo quando reina no mundo

Inteira desconfiança

a falta de fé em Deus

E nos homens

E que todo mundo tem direito a uma segunda chance.

Que é preciso desprender do antigo

E vestir-se do novo.

Aprendi que se deve acreditar que é possível mudar,

Que o que aparenta não ser bonito

Pode trazer belezas imensuráveis por dentro

A Crer que um pequeno gesto pode salvar uma vida

Que quando várias pessoas se juntam a semear

fazem nascer em solo árido mudas de esperança

E que mesmo que você seja um só,

aquele pequeno ato fará a diferença.

É isso que o amor faz! Dá a capacidade de fazer brotar flores nos desertos da existência, e do ato de cultivar fará surgir oásis com fontes de curas bem maiores, e esta é a certeza plena de que aquele gesto humano de amor foi a melhor coisa a se fazer.

É preciso ter um olhar demorado sobre tudo, olhar como se fosse a primeira vez. Há beleza em cada mínima coisa, é possível ver e sentir quando se caminha de mãos dadas com a poesia.

Angella Reis



terça-feira, 11 de outubro de 2011






Queria oferecer algo grandioso que pudesse proporcionar-lhe uma felicidade indescritível e gozar n’alma teus sorrisos de um coração terno amor desperto.


Angela Reis





Não sei explicar, há qualquer coisa que me fascina. O cheiro inebriante brota da raiz da terra misturado às folhas e à mornidão do sol, por seu turno este me abrasa, ao seu toque sinto-me nua. E quando fico nua o desejo é a entrega.


Angela Reis




Porque a vida é deste modo, é feita de encontros e desencontros, e a gente segue a deriva, num barco à vela, içada pelo vento, ora tempestade, ora calmaria, entre erros e acertos, vivendo e aprendendo a viver.


Angela Reis








"E que seja permanente essa vontade de ir além daquilo que me espera' (CFA)





Quando você se depara com alguém que vislumbrou há muito tempo, antes mesmo de conhecer, naquela sua cena feliz, aí que tudo acontece, teu imaginário materializado em corpo e alma.

Angela Reis




“Sinto-me inteira igual às árvores: solitária, perfeita e pura” (Cecília Meireles)




Entrego-me a paisagem. Existe uma força que me liga a terra e ao céu, ad infintum. A natureza que emana da paisagem que se descortina também explode em mim.

Angela Reis

Saudade





Esta noite acordei com vontade de tudo, de banho de chuva, de passeio no jardim, de correr com os pés descalços, de ondas do mar, de cavalgar pelos campos, das brincadeiras da infância, quantas histórias... Uma saudade gostosa daquelas de rir-se por dentro.


Tanto se fala em saudade, mas a saudade não é só uma palavra, é sentimento. Eu diria que a saudade é uma menina que brinca com o tempo. Ah! E como brinca, ri e chora ao mesmo tempo. O tempo às vezes briga com a saudade, dizendo que tem que seguir em frente, mas a saudade sempre quer voltar - isso me faz recordar uma citação de Rubem Alves in: O amor que acende a Lua “A saudade é nossa alma dizendo para onde ela que voltar" -, mas o tempo não volta. É teimoso o tempo, ou teimosos somos nós?


Mas o bom mesmo é sentir saudade, e ela é tão forte que mesmo na presença a gente continua com vontade de quero mais e aí começa a sentir saudade de cada segundo que se passa. Quer se comer a presença, absorver o outro por inteiro.


Bom, mas como eu disse antes a saudade ri e chora. A saudade ri mais quando se está ainda com alguém, e aí “é a saudade que prepara o abraço de amor na volta daquele a quem se ama” (do livro O amor que acende a lua). Ah! Mas quando ele não volta (pessoa a quem se ama), quando ele não volta, aí a saudade mais chora que ri, só se resta as lembranças, então a saudade volta e volta, driblando e brincando com o tempo. E como bem disse Camilo Castelo Branco "Saudade é um afeto, excelso amor, o melhor amor e o mais incorruptível que o passado nos herda."


Angella Reis

sábado, 8 de outubro de 2011






"Imperecível. Não perece nunca. O que está escrito no coração não se esquece, marca. Aquele instante deve ter se eternizado dentro dele(a) assim como a ausência dela(e) ficou em mim" (Angela Reis)










"Visto-me e me dispo ao mesmo tempo, mas minha nudez é casta guarda segredos bem revestidos" (Angela Reis)








"É a chuva que a salva nesse exato instante trazendo à memória doces recordações que a embriagam de saudade" (Angela Reis)







"Às vezes temos tanta pressa e deixamos passar despercebidos a beleza do por do sol. O bom é que ele nasce todos os dias" (Angela Reis)









"Quando estivermos ao lado de pessoas especiais devemos caminhar a passos lentos para aproveitar ao máximo a companhia daqueles a quem amamos" (Angela Reis)







"Nossa vida é como um quebra cabeças, as peças vão se encaixando pouco a pouco mas nem sempre parece fazer sentido" (Angela Reis)



"Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma benção escondida; uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.

Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.

Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.

Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança" (Paulo Coelho)

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